07/ 10/ 2006 - SPLATTER NIGHT X – ROT, MDK, OFFAL – GARAGE – JOINVILLE/SC


Por Aristeu Rudnick


E o Splatter Night chega a sua décima edição! Incrível, nada melhor do que ainda comemorar neste ano com dois dias de festival, contando extraordinariamente com a presença de uma banda gringa, no caso o Pulmonary Fibrosis, da França. E churrasco para a diretoria e sócios nas tardes correspondentes.
Essa noite em particular, seria brindada com outro show dos franceses, ou seja, eles tocariam nos dias do evento, e como tudo não pode ser perfeito, os cariocas do Gore cancelaram de última hora sua vinda ao Splatter. Tudo bem, acho que podemos viver com isso.
Outro grande motivo de gozo foi o fato de ocorrer a gravação e a filmagem do evento para um possível lançamento futuro de um DVD comemorativo da festa. É, imagine, se em Joinville plantando nada cresce, o Splatter Night furou a lógica pessimista da cidade consagrando como evento definitivo e essencial nacionalmente. Se a Fenachope já era, a Festa das Nações desponta para o anonimato, podemos adicionar no calendário joinvilense o Festival de Dança, a Festa das Flores e o Splatter Night! Que tríade bonita, ein?

Ensaio do Pulmonary Fibrosis


Só faltaram as pessoas bonitas, em minoria nessa edição (e nas outras), agora no resto... até empada do Jerke tinha! Muitas pessoas vieram de vários locais do Brasil prestigiar os shows, e quem montou sua barraca na área de camping com certeza tem muita história para contar... Muitas banquinhas, e a presença ilustre do Rei Momo do Splatter Night, Petter Baiestorf! Dessa vez mais consciente, aproveitou para registrar tudo em sua câmara de vídeo os detalhes para não esquecer do que presenciou como nas últimas vezes. Ah, e o telão com os filmes de sangueira e mulher pelada esteve lá mais uma vez, não sei se foi impressão minha mas parece que este ano a escatologia foi mais braba do que nos outros anos. Pudemos até conferir em primeira mão o mais novo filme do Gurcius Gewdner, “Mamilos em Chamas”! Com certeza será mais um sucesso de público e crítica!!


Infelizmente dentre as várias bandas dessa noite só conferi o Offal, MDK e o Rot, quem assistiu às outras pode me ajudar e escrever seu depoimento, ok?
A primeira banda a que assisti na noite foi o Offal de Curitiba, segunda apresentação da banda sendo as duas em Joinville! Impressionaram logo de início porque aproveitaram o recurso do telão para exibição de um vídeo especial com cenas muito “queridas” enquanto a banda tocava. Até o Nekromantic 2 não foi esquecido! Fora cenas de coprofagia e de autópsia. Voltando à banda, a banda tocava com mais fúria do que o habitual, posso dizer isso porque acompanho os ensaios, hehe. O repertório do disco foi celebrado pelos presentes assim como as músicas novas, sem falar dos covers quase obrigatórios nos medleys do Autopsy e Death, levando o povo à loucura. Death Metal old school! Yeah! Acho que era o tipo de banda que o público estava esperando faz tempo, depois de tanta brutalidade que acaba cansando, nada mais justo do que um pouco de “calmaria”. A perfomance Sloth/ Barney Greenway do vocalista veio de encontro à insanidade promovida pelo som da banda, sendo agraciado com uma gentil oferta de beterrabadas no início da apresentação. Show que deixou o povo ainda mais sedento pelo Splatter Night e que provavelmente os definiu como revelação do evento neste ano. Aliás, segundo comentários gerais após o show, foi um dos melhores desse festival neste ano.
No MDK a coisa já era mais brutal. O trio de Jundiaí, SP apavorou com seu goregrind extremo e sem concessões. As letras em inglês e português passavam despercebidas tamanha a voracidade por barulho da banda. O som vai na linha daquelas porras tipo Dead Infection, Blood, Rompeprop, por aí. Ah, a banda não contou com baixista, foram só guitarra, bateria e vocal, tudo muito bruto e rápido.
E então vem o Rot, que maravilha, esperava a banda por alguns anos, mais de uma década para falar a verdade. Foi muito bom revê-los, mesmo que tenha sido em Joinville, haha. Da formação antiga só reconheci o vocal Marcelo e o guitarra Mendigo, recém desfeito de sua vasta cabeleira. Descobri que a banda agora conta com dois vocalistas, além de ter um baixista anarco punk. O Rot é uma banda única! E tanta expectativa logo foi posta a valer no começo do show, um profissionalismo gutural e explosivo que raramente presenciava. A banda não tem essa fama só pelo acaso ou tradição, tamanha a discografia do grupo, porém principalmente da competência e segurança com que executaram o repertório. Até tentaram despistar dizendo que estavam meio “bêbados” e que o show seria da melhor maneira possível... conversa! Foi uma demonstração irrepreensível do quanto o Rot é um nome de destaque e referência internacional! Não dá mais para dizer que a banda é de Osasco, a banda é do Brasilsilsil! Ok, chega de tanta empolgação nacionalista, afinal faz um mês do sete de setembro, todavia ver uma banda como o Rot, com toda a sua história e mostrar a sua força de uma maneira descomunal e simples é por demais inspirador. A bateria foi destruidora, o baixo com distorção metal zone um pulsátil achado para tanta vibração, a guitarra com simples distortiom fez muito mais do que muita gente com tanta pedaleira, e os dois vocais dividindo as atenções poupavam o “velhinho” Marcelo como também dinamizavam as nuances de climas dentro de uma música curta e barulhenta. É difícil apontar referências dentro do Rot, para mim eles já sedimentaram algo próprio e estão lado a lado de feras como Agathocles, Denak, Anarchus, Napalm Death (antigo), Gride, Unholy Grave. Putz, nem consegui identificar as músicas, foda, música curta e parecida é complicado... hehe, eita nóis, faz tanto tempo que não escuto normalmente a banda... só que depois do show eu preciso urgentemente arrumar meu toca-discos e recuperar meus velhos Cd’s! Que a discografia da banda não se interrompa e que mais shows deles apreciem o itinerário aqui no Sul! Quem sabe assim eu comece a reconhecer o repertório mais fácil!


 

 Voltar