Por
Aristeu Rudnick
E o Splatter Night chega a sua décima edição!
Incrível, nada melhor do que ainda comemorar neste ano
com dois dias de festival, contando extraordinariamente com a
presença de uma banda gringa, no caso o Pulmonary Fibrosis,
da França. E churrasco para a diretoria e sócios
nas tardes correspondentes.
Essa noite em particular, seria brindada com outro show dos franceses,
ou seja, eles tocariam nos dias do evento, e como tudo não
pode ser perfeito, os cariocas do Gore cancelaram de última
hora sua vinda ao Splatter. Tudo bem, acho que podemos viver com
isso.
Outro grande motivo de gozo foi o fato de ocorrer a gravação
e a filmagem do evento para um possível lançamento
futuro de um DVD comemorativo da festa. É, imagine, se
em Joinville plantando nada cresce, o Splatter Night furou a lógica
pessimista da cidade consagrando como evento definitivo e essencial
nacionalmente. Se a Fenachope já era, a Festa das Nações
desponta para o anonimato, podemos adicionar no calendário
joinvilense o Festival de Dança, a Festa das Flores e o
Splatter Night! Que tríade bonita, ein?
Só faltaram as pessoas bonitas, em minoria nessa edição
(e nas outras), agora no resto... até empada do Jerke tinha!
Muitas pessoas vieram de vários locais do Brasil prestigiar
os shows, e quem montou sua barraca na área de camping
com certeza tem muita história para contar... Muitas banquinhas,
e a presença ilustre do Rei Momo do Splatter Night, Petter
Baiestorf! Dessa vez mais consciente, aproveitou para registrar
tudo em sua câmara de vídeo os detalhes para não
esquecer do que presenciou como nas últimas vezes. Ah,
e o telão com os filmes de sangueira e mulher pelada esteve
lá mais uma vez, não sei se foi impressão
minha mas parece que este ano a escatologia foi mais braba do
que nos outros anos. Pudemos até conferir em primeira mão
o mais novo filme do Gurcius Gewdner, “Mamilos em Chamas”!
Com certeza será mais um sucesso de público e crítica!!

Infelizmente dentre as várias bandas dessa noite só
conferi o Offal, MDK e o Rot, quem assistiu às outras pode
me ajudar e escrever seu depoimento, ok?
A primeira banda a que assisti na noite foi o Offal
de Curitiba, segunda apresentação da banda sendo
as duas em Joinville! Impressionaram logo de início porque
aproveitaram o recurso do telão para exibição
de um vídeo especial com cenas muito “queridas”
enquanto a banda tocava. Até o Nekromantic 2 não
foi esquecido! Fora cenas de coprofagia e de autópsia.
Voltando à banda, a banda tocava com mais fúria
do que o habitual, posso dizer isso porque acompanho os ensaios,
hehe. O repertório do disco foi celebrado pelos presentes
assim como as músicas novas, sem falar dos covers quase
obrigatórios nos medleys do Autopsy e Death, levando o
povo à loucura. Death Metal old school! Yeah! Acho que
era o tipo de banda que o público estava esperando faz
tempo, depois de tanta brutalidade que acaba cansando, nada mais
justo do que um pouco de “calmaria”. A perfomance
Sloth/ Barney Greenway do vocalista veio de encontro à
insanidade promovida pelo som da banda, sendo agraciado com uma
gentil oferta de beterrabadas no início da apresentação.
Show que deixou o povo ainda mais sedento pelo Splatter Night
e que provavelmente os definiu como revelação do
evento neste ano. Aliás, segundo comentários gerais
após o show, foi um dos melhores desse festival neste ano.
No MDK a coisa já era mais brutal. O trio de Jundiaí,
SP apavorou com seu goregrind extremo e sem concessões.
As letras em inglês e português passavam despercebidas
tamanha a voracidade por barulho da banda. O som vai na linha
daquelas porras tipo Dead Infection, Blood, Rompeprop, por aí.
Ah, a banda não contou com baixista, foram só guitarra,
bateria e vocal, tudo muito bruto e rápido.
E então vem o Rot, que maravilha, esperava a banda por
alguns anos, mais de uma década para falar a verdade. Foi
muito bom revê-los, mesmo que tenha sido em Joinville, haha.
Da formação antiga só reconheci o vocal Marcelo
e o guitarra Mendigo, recém desfeito de sua vasta cabeleira.
Descobri que a banda agora conta com dois vocalistas, além
de ter um baixista anarco punk. O Rot é uma banda única!
E tanta expectativa logo foi posta a valer no começo do
show, um profissionalismo gutural e explosivo que raramente presenciava.
A banda não tem essa fama só pelo acaso ou tradição,
tamanha a discografia do grupo, porém principalmente da
competência e segurança com que executaram o repertório.
Até tentaram despistar dizendo que estavam meio “bêbados”
e que o show seria da melhor maneira possível... conversa!
Foi uma demonstração irrepreensível do quanto
o Rot é um nome de destaque e referência internacional!
Não dá mais para dizer que a banda é de Osasco,
a banda é do Brasilsilsil! Ok, chega de tanta empolgação
nacionalista, afinal faz um mês do sete de setembro, todavia
ver uma banda como o Rot, com toda a sua história e mostrar
a sua força de uma maneira descomunal e simples é
por demais inspirador. A bateria foi destruidora, o baixo com
distorção metal zone um pulsátil achado para
tanta vibração, a guitarra com simples distortiom
fez muito mais do que muita gente com tanta pedaleira, e os dois
vocais dividindo as atenções poupavam o “velhinho”
Marcelo como também dinamizavam as nuances de climas dentro
de uma música curta e barulhenta. É difícil
apontar referências dentro do Rot, para mim eles já
sedimentaram algo próprio e estão lado a lado de
feras como Agathocles, Denak, Anarchus, Napalm Death (antigo),
Gride, Unholy Grave. Putz, nem consegui identificar as músicas,
foda, música curta e parecida é complicado... hehe,
eita nóis, faz tanto tempo que não escuto normalmente
a banda... só que depois do show eu preciso urgentemente
arrumar meu toca-discos e recuperar meus velhos Cd’s! Que
a discografia da banda não se interrompa e que mais shows
deles apreciem o itinerário aqui no Sul! Quem sabe assim
eu comece a reconhecer o repertório mais fácil!