
Fotos
por Tiago Salles, Roberto Panarotto, Ramiro, Eliete e demais fotografos
que encontramos pela internet.
PS:
Aqui tem foto pra caralho, deixe a página
carregando e vai tomar um cafézinho...
É
com muita honra que no ano em que Os Legais completa dez anos
de banda, e ao menos 13 anos escutando
Repolho
sem parar, que dividimos o palco com os mestres do rock rural!
E não poderia ser outro lugar , se não os palcos
do grandioso e eterno Curupira
Rock Clube.

No
nosso ultra selecionado time de músicos profissionais,
além dos nossos membros fixos e empregados com carteira
assinada, como Alec Newlands e Hans Konesky;
contamos com a colaboração dos músicos do
Colorir.
O Colorir é um caso a parte na cena musical do país:
quando perguntados sobre que tipo de som eles fazem, os rapazes
olham para o chão ou para o horizonte e depois de alguns
momentos de silencio respondem com orgulho: fazemos Música
Livre!!!

E é esse nosso posicionamento em relação
ao ato de se expurgar música, seja livre, destrua seus
conceitos sobre aulas de musica, destrua qualquer relação
com rotulos musicais e especialmente ignore aqueles presos a estes
rotulos. Deixe seus poros explodirem em um orgasmo de amor por
tudo que há de bonito no mundo e faça e toque tudo
que tiver vontade.

Não
tem um instrumento? O supermercado tem vários carrinhos
de compras sobrando! Não sabe tocar? Pare de desejar futilidades
desnessessárias. As pessoas não gostam de sua música?
Faça música pras nuvens. Faça música
para as girafas (mesmo que elas não estejam ouvindo). Faça
musica para as baleias, elas são bem mais interessantes
que o publico dos shows de rock ou qualquer outro tipo de público.
Desde
o primeiro contato com o Colorir, era mais do que previsível
que dividiriamos palco juntos em menos de um ano, a dupla não
tem repertório fixo e todas suas musicas são improvisadas
durante o show. Todo show é um momento de composição
e o momento de partir do zero mais uma vez. Em todos os shows
de Os Legais recompomos nosso próprio repertório:
o colorir não recompoe seu repertório, eles o trazem
a tona pela primeira vez, sempre.

Ao
contrário do caos e sofrimento que liberamos de nosso corações
durante a composição, no colorir você encontra
momentos de extrema harmonia e tranquilidade, como se o Dorotti
Columm e o Tortoise encontrassem um grupo de fazedores de Dub
em cima de uma baleia azul , e tudo isso com apenas dois caras.
E nada impede que a próxima gravação seja
totalemnte diferente do que foi descrito aqui, e é isso
que faz tudo ser tão perfeito. Para eles e para nós,
que nunca temos os mesmos músicos gravando ou tocando ao
vivo e nunca tivemos interesse de atingir uma sonoridade caracteristica
entre um disco e outro.
Simplesmente
continue fazendo porque é isso que deve ser feito, não
pense em nada, nem em nimguém, apenas siga as vozes gritando
na sua cabeça. Armados com seu arsenal de equipamentos,
não há como definir se as duas bandas estavam compondo
juntas ou fazendo dois shows ao mesmo tempo. O público
enebriado em extase e vontade, possuídos de amor e fúria
pelo prazer de destruir lixo e isopor, não deve ter nem
percebido que haviam duas bandas no palco.
E como se isso já não fosse suficiente, Edson Luiz,
nosso mais antigo membro ao lado de Marcius e Gurcius, produtor
dos dois primeiros cassetes, vocalista do The Power of the Bira
e um de nossos grandes apoiadores e idealizadores do Curupira,
trouxe ao palco o instrumento mais repleto de beleza, magia e
sonoridade angelical que já utilizamos em todos os tempos!
Uma linda Serra Elétrica acompanhada de um martelo e um
fogão, que fez o branco de neve do isopor se unir a fantásticas
e brilhantes labaredas de fogo, a neve unida ao torpor do fogo
me levou a multiplos orgasmos, assim como o publico.
O extase de amor e emoção compartilhados por banda
e público atingiu níveis tão intensos que
longas e gritantes discargas eletricas saíam de minha guitarra,
invadindo meu corpo e me enchendo de prazer, e mesmo com a dor
do choque e o tremor da morte passando pelo meu corpo através
das intermináveis discargas elétricas, a vontade
de continuar tocando era ainda maior, porque logo na minha frente
fogo e neve faziam amor de forma frenética, transformando
o ar em uma tempestade de prazer.

Como
um fã extremo de Einsturzende Neubauten, foi simplesmente
lindo poder utilizar e ouvir instrumentos tão cheios de
singularidade e amor como uma serra elétrica e fogão.
Para se fazer o que se gosta é preciso estar apaixonado,
e estamos apaixonados pelo fogão, pela serra elétrica,
pelo isopor pulsante, pelas baleias e pelas longas camadas de
musgo que cobrem toda a terra. Estamos respirando amor, estamos
derretendo de prazer em fogo vermelho, azul e branco.

E
deixo registrado aqui que este foi um dosmelhores shows que fizemos
em todas as nossas vidas, é como se nós mesmos fossemos
labaredas de fogo lutando para destruir nosso fardo de vida, lutando
para derreter o isopor, sem saber que somos apenas um, unidos
em um orgasmo eterno e sem fim.

O
curupira é todo de madeira, e mesmo assim o fogo conviveu
harmoniosamente com a madeira e o isopor, provando que todos os
presentes estavam vivendo um momento único e são
merecedores do paraíso eterno de isopor palpitante, na
qual todos um dia compartilharemos momentos de prazer flamejante,
exatamente como esses.
Se
desistimos de alegrar o mundo com fanfarra rumo ao apocalipse???
É obvio que não , tanto que nem nos lembramos da
falta da bateria montada, tinhamos um carrinho de compras, uma
caixa clara acompanhada ao Marcius, e pedaços de bateria
estrategicamente espalhados pelo palco. O carrinho de compras
inicialmente comandado por musicos do palco, logo adquiriu vida
própria e passou a correr livremente por todo o clube,
chegou muitas vezes a voar em direção ao palco na
ansia de beijar os músicos, que o recebiam com chutes carinhosos,
o mesmo valia para os membros da platéia.

Era
o show comemorativo de Dez Anos, o que nos fez preparar um set
list extremamente completo, com musicas de 1996 até musicas
compostas a um mês atrás, como a já consagrada
"Vou tirar teu nenem, comer a criança, assar teu bebê,
diluir e beber o bebê". Num total de 40 musicas, que
contaram com vocais alternados de Gurcius, Edson, Marcius , Hans
e Alec.

Infelizmente
não contamos com a presença de Iuguru, que estava
em retiro espiritual, canalizando energias para seu bisturi místico.
Um a um os musicos foram abandonando o palco, em uma quase marcha
fúnebre rumo a morte total e decadencia,o fogo foi se apagando,
o isopor ficando úmido e os musicos morrendo com o peitos
explodindo em felicidade, até sobrar apenas o Colorir,
que também derreteu e se apagou.

E que venham mais dez anos de shows no curupira e pelo mundo,
com labaredas de isopor e fogão cruzando todas as fronteiras
do planeta, rumo ao colorido isoporístico total.

...Por
Gurcius Gewdner...
Na
noite seguinte (sábado) a bagunça foi no Curupira
em Guaramirim.
Para o pessoal se situar de como funciona a brincadeira. É
maio ou meno o seguinte. Há 14 anos atrás tendo
as dificuldades de quem queria estabelecer um cena musical local.
Algumas pessoas que residiam em Jaraguá do Sul, Joinville
e Guaramirim, apostaram numa idéia que acabou dando muito
certo.

Guaramirim
virou um ponto de referência no estado para bandas alternativas,
pelos palcos do curupira já desfilaram banda de todos os
tipos, gêneros e por aí vai.
Fazia aproximadamente dez anos que o Repolho não tocava
lá e a receptividade foi muito legal. Tocamos com mais
duas bandas o Stuart de Blumenau. Velha conhecida de guerra. Já
tocamos várias vezes. E com os Legais, conhecida por muitos
como a vergonha de Joinville, mas isso eu tentarei explicar depois,
deixando bem claro que o temo vergonha pra eles é um elogio.
Sempre ressaltando que o termo poderia ser muito pior.
O Stuart foi a primeira banda da noite. Eles estão lançando
o seu primeiro CD de forma independente e acredito, deve ser uma
das bandas alternativas que mais tocam do estado. Mais do que
isso, eles demonstram uma organização em manter
o site, produzir suas canções e videoclips e organizar
shows que deveria em muitos momentos servir de exemplo de como
uma banda deve se comportar.

Essa
história das bandas querer conquistar ou atingir o mainstream
através de formulas pasteurizadas e totalmente falsa é
uma visão que ainda se mantém muito forte nessa
cena que se diz alternativa.

No
caso do Stuart eles tem a visão de que tem que se estabelecer
através dessas novas possibilidades e daí sim gerar
um cena forte e de pessoas que tem interesse por algo novo.

Chegamos
no inicio do show deles e fomos convidados pelo Ramiro para gravar
uma participação em vídeo para um documentário
que está sendo feito sobre o Curupira. Comentamos nessa
entrevista algo a respeito da cena catarinense e de que forma
ela acaba se estabelecendo a partir dessas pequenas iniciativas
que se formam no estado pensando sempre na possibilidade de encurtar
distâncias e aproximar ainda mais as pessoas que tem interesses
comum, ou seja gerar um produção local com força
e de preferência independência total e sem vínculos
com fulanos e beltranos (acho que não preciso dar nome
as bois).

Pensando
dessa forma ver um espaço que dura todos esse anos é
porque a coisa é legal e feita com estrutura e dedicação.
O curioso é que o bar fica no interior de Guaramirim e
muita gente do meio alternativo vem das cidades próximas
para tocar no local e mais do que isso para se divertir e prestigiar
os shows. Tu chega na cidade é um vazio total. Parece uma
cidade fantasma daí tu vai se aproximando do local do show
é aquele bando de gente interessada em se divertir e curtir
a bandas.

Conheça o Stuart através do site: www.stuartmusic.com.br
A segunda banda da noite foi o Repolho. Essa eu deixo para os
outros comentarem algo. Parece lógico mas sempre é
bom reforçar para não deixar dúvidas de que
a intenção do Repolho também é se
divertir. E isso a gente tem conseguido. Se o público se
diverte junto melhor ainda.

Tanto
o show de Florianópolis quanto o show em Guaramirim (que
acabamos tocando cerca de uma hora e meia cada show) podemos constatar
um carinho muito grande por parte do público presente e
nesse momento só posso utilizar esse espaço para
agradecer a todos que vem através dessa insistência
mantendo a banda viva nos lugar que não podemos tocar com
freqüência. Em relação ao tempo de duração
dos shows, pra gente é legal porque podemos tocar várias
musicas do disco novo e várias músicas dos outros
discos (sempre atendendo a pedidos do público).

Os Legais pra mim foi a surpresa da noite. Já tinha ouvido
falar (e mal diga-se de passagem he he) mas o legal é estar
ali conferindo tudo de perto. Poderia usar a metáfora mais
canalha e defini-los como um falo gigantesco derramando no público
muito isopor, (acharam que eu ia dizer outra coisa). Foi mais
ou menos assim que começou o show deles.

Cerca
de seis músicos (!?) no palco e mais uma participação
especial do Edison (ex-The Power of Bira) fazendo uma performance
com uma serra elétrica e uma máquina de lavar roupas.
A banda tem um tropicalismo alegórico impressionante.
Repare no fã chorando emocionado acima...
Fantasias
de carnaval com colagens de revistas pornográficas pelo
corpo dos integrantes. O vocalista entra com um carrinho de compras
e berra ao microfone distribuindo muitas lâminas de isopor
para o público que se esbofeteia quebrando o isopor uns
nos outros. O público explode como um orgasmo gigantesco.

O
Edison vai até o microfone e em meio a muita diversão,
caos desordem e quase destruição pede que o público
não faça tanto barulho porque eles não conseguem
se concentrar na música. Música??? Que Música?!
Os Legais é muito mais do que música.

O
som é infernal como uma noite de amor caliente. As letras
sempre tirando muito sarro em versões estapafurdias de
hits da música nacional. Não vou reproduzir aqui
em palavras porque talvez não seja a hora e nem o local
apropriado. Só sei dizer que é o show é muito
divertido e legal.
O tempo de duração do show é interminável.
Eles anunciam no microfone que só acabam o show quando
todo mundo for embora. Pois bem eu fui embora e não sei
como foi o desfecho disso tudo. Mas tenho a plena convicção
de que alguém vai ter que limpar aquela sujeira toda.
...........Por
Roberto Panarotto..........
originalmente publicado em http://www.agitocombalalauu.blogger.com.br














e o cara do som...
