26/08/2006 - Os Legais / Colorir com Repolho e Stuart no Curupira

Fotos por Tiago Salles, Roberto Panarotto, Ramiro, Eliete e demais fotografos que encontramos pela internet.

PS: Aqui tem foto pra caralho, deixe a página carregando e vai tomar um cafézinho...

É com muita honra que no ano em que Os Legais completa dez anos de banda, e ao menos 13 anos escutando Repolho sem parar, que dividimos o palco com os mestres do rock rural! E não poderia ser outro lugar , se não os palcos do grandioso e eterno Curupira Rock Clube.

No nosso ultra selecionado time de músicos profissionais, além dos nossos membros fixos e empregados com carteira assinada, como Alec Newlands e Hans Konesky; contamos com a colaboração dos músicos do Colorir.


O Colorir é um caso a parte na cena musical do país: quando perguntados sobre que tipo de som eles fazem, os rapazes olham para o chão ou para o horizonte e depois de alguns momentos de silencio respondem com orgulho: fazemos Música Livre!!!

E é esse nosso posicionamento em relação ao ato de se expurgar música, seja livre, destrua seus conceitos sobre aulas de musica, destrua qualquer relação com rotulos musicais e especialmente ignore aqueles presos a estes rotulos. Deixe seus poros explodirem em um orgasmo de amor por tudo que há de bonito no mundo e faça e toque tudo que tiver vontade.

Não tem um instrumento? O supermercado tem vários carrinhos de compras sobrando! Não sabe tocar? Pare de desejar futilidades desnessessárias. As pessoas não gostam de sua música? Faça música pras nuvens. Faça música para as girafas (mesmo que elas não estejam ouvindo). Faça musica para as baleias, elas são bem mais interessantes que o publico dos shows de rock ou qualquer outro tipo de público.

Desde o primeiro contato com o Colorir, era mais do que previsível que dividiriamos palco juntos em menos de um ano, a dupla não tem repertório fixo e todas suas musicas são improvisadas durante o show. Todo show é um momento de composição e o momento de partir do zero mais uma vez. Em todos os shows de Os Legais recompomos nosso próprio repertório: o colorir não recompoe seu repertório, eles o trazem a tona pela primeira vez, sempre.

Ao contrário do caos e sofrimento que liberamos de nosso corações durante a composição, no colorir você encontra momentos de extrema harmonia e tranquilidade, como se o Dorotti Columm e o Tortoise encontrassem um grupo de fazedores de Dub em cima de uma baleia azul , e tudo isso com apenas dois caras. E nada impede que a próxima gravação seja totalemnte diferente do que foi descrito aqui, e é isso que faz tudo ser tão perfeito. Para eles e para nós, que nunca temos os mesmos músicos gravando ou tocando ao vivo e nunca tivemos interesse de atingir uma sonoridade caracteristica entre um disco e outro.

Simplesmente continue fazendo porque é isso que deve ser feito, não pense em nada, nem em nimguém, apenas siga as vozes gritando na sua cabeça. Armados com seu arsenal de equipamentos, não há como definir se as duas bandas estavam compondo juntas ou fazendo dois shows ao mesmo tempo. O público enebriado em extase e vontade, possuídos de amor e fúria pelo prazer de destruir lixo e isopor, não deve ter nem percebido que haviam duas bandas no palco.

E como se isso já não fosse suficiente, Edson Luiz, nosso mais antigo membro ao lado de Marcius e Gurcius, produtor dos dois primeiros cassetes, vocalista do The Power of the Bira e um de nossos grandes apoiadores e idealizadores do Curupira, trouxe ao palco o instrumento mais repleto de beleza, magia e sonoridade angelical que já utilizamos em todos os tempos! Uma linda Serra Elétrica acompanhada de um martelo e um fogão, que fez o branco de neve do isopor se unir a fantásticas e brilhantes labaredas de fogo, a neve unida ao torpor do fogo me levou a multiplos orgasmos, assim como o publico.



O extase de amor e emoção compartilhados por banda e público atingiu níveis tão intensos que longas e gritantes discargas eletricas saíam de minha guitarra, invadindo meu corpo e me enchendo de prazer, e mesmo com a dor do choque e o tremor da morte passando pelo meu corpo através das intermináveis discargas elétricas, a vontade de continuar tocando era ainda maior, porque logo na minha frente fogo e neve faziam amor de forma frenética, transformando o ar em uma tempestade de prazer.

Como um fã extremo de Einsturzende Neubauten, foi simplesmente lindo poder utilizar e ouvir instrumentos tão cheios de singularidade e amor como uma serra elétrica e fogão. Para se fazer o que se gosta é preciso estar apaixonado, e estamos apaixonados pelo fogão, pela serra elétrica, pelo isopor pulsante, pelas baleias e pelas longas camadas de musgo que cobrem toda a terra. Estamos respirando amor, estamos derretendo de prazer em fogo vermelho, azul e branco.

E deixo registrado aqui que este foi um dosmelhores shows que fizemos em todas as nossas vidas, é como se nós mesmos fossemos labaredas de fogo lutando para destruir nosso fardo de vida, lutando para derreter o isopor, sem saber que somos apenas um, unidos em um orgasmo eterno e sem fim.

O curupira é todo de madeira, e mesmo assim o fogo conviveu harmoniosamente com a madeira e o isopor, provando que todos os presentes estavam vivendo um momento único e são merecedores do paraíso eterno de isopor palpitante, na qual todos um dia compartilharemos momentos de prazer flamejante, exatamente como esses.

Se desistimos de alegrar o mundo com fanfarra rumo ao apocalipse??? É obvio que não , tanto que nem nos lembramos da falta da bateria montada, tinhamos um carrinho de compras, uma caixa clara acompanhada ao Marcius, e pedaços de bateria estrategicamente espalhados pelo palco. O carrinho de compras inicialmente comandado por musicos do palco, logo adquiriu vida própria e passou a correr livremente por todo o clube, chegou muitas vezes a voar em direção ao palco na ansia de beijar os músicos, que o recebiam com chutes carinhosos, o mesmo valia para os membros da platéia.

Era o show comemorativo de Dez Anos, o que nos fez preparar um set list extremamente completo, com musicas de 1996 até musicas compostas a um mês atrás, como a já consagrada "Vou tirar teu nenem, comer a criança, assar teu bebê, diluir e beber o bebê". Num total de 40 musicas, que contaram com vocais alternados de Gurcius, Edson, Marcius , Hans e Alec.

Infelizmente não contamos com a presença de Iuguru, que estava em retiro espiritual, canalizando energias para seu bisturi místico. Um a um os musicos foram abandonando o palco, em uma quase marcha fúnebre rumo a morte total e decadencia,o fogo foi se apagando, o isopor ficando úmido e os musicos morrendo com o peitos explodindo em felicidade, até sobrar apenas o Colorir, que também derreteu e se apagou.

E que venham mais dez anos de shows no curupira e pelo mundo, com labaredas de isopor e fogão cruzando todas as fronteiras do planeta, rumo ao colorido isoporístico total.

...Por Gurcius Gewdner...

 



Na noite seguinte (sábado) a bagunça foi no Curupira em Guaramirim.


Para o pessoal se situar de como funciona a brincadeira. É maio ou meno o seguinte. Há 14 anos atrás tendo as dificuldades de quem queria estabelecer um cena musical local. Algumas pessoas que residiam em Jaraguá do Sul, Joinville e Guaramirim, apostaram numa idéia que acabou dando muito certo.

Guaramirim virou um ponto de referência no estado para bandas alternativas, pelos palcos do curupira já desfilaram banda de todos os tipos, gêneros e por aí vai.


Fazia aproximadamente dez anos que o Repolho não tocava lá e a receptividade foi muito legal. Tocamos com mais duas bandas o Stuart de Blumenau. Velha conhecida de guerra. Já tocamos várias vezes. E com os Legais, conhecida por muitos como a vergonha de Joinville, mas isso eu tentarei explicar depois, deixando bem claro que o temo vergonha pra eles é um elogio. Sempre ressaltando que o termo poderia ser muito pior.


O Stuart foi a primeira banda da noite. Eles estão lançando o seu primeiro CD de forma independente e acredito, deve ser uma das bandas alternativas que mais tocam do estado. Mais do que isso, eles demonstram uma organização em manter o site, produzir suas canções e videoclips e organizar shows que deveria em muitos momentos servir de exemplo de como uma banda deve se comportar.

Essa história das bandas querer conquistar ou atingir o mainstream através de formulas pasteurizadas e totalmente falsa é uma visão que ainda se mantém muito forte nessa cena que se diz alternativa.

No caso do Stuart eles tem a visão de que tem que se estabelecer através dessas novas possibilidades e daí sim gerar um cena forte e de pessoas que tem interesse por algo novo.

Chegamos no inicio do show deles e fomos convidados pelo Ramiro para gravar uma participação em vídeo para um documentário que está sendo feito sobre o Curupira. Comentamos nessa entrevista algo a respeito da cena catarinense e de que forma ela acaba se estabelecendo a partir dessas pequenas iniciativas que se formam no estado pensando sempre na possibilidade de encurtar distâncias e aproximar ainda mais as pessoas que tem interesses comum, ou seja gerar um produção local com força e de preferência independência total e sem vínculos com fulanos e beltranos (acho que não preciso dar nome as bois).

Pensando dessa forma ver um espaço que dura todos esse anos é porque a coisa é legal e feita com estrutura e dedicação. O curioso é que o bar fica no interior de Guaramirim e muita gente do meio alternativo vem das cidades próximas para tocar no local e mais do que isso para se divertir e prestigiar os shows. Tu chega na cidade é um vazio total. Parece uma cidade fantasma daí tu vai se aproximando do local do show é aquele bando de gente interessada em se divertir e curtir a bandas.


Conheça o Stuart através do site: www.stuartmusic.com.br


A segunda banda da noite foi o Repolho. Essa eu deixo para os outros comentarem algo. Parece lógico mas sempre é bom reforçar para não deixar dúvidas de que a intenção do Repolho também é se divertir. E isso a gente tem conseguido. Se o público se diverte junto melhor ainda.

Tanto o show de Florianópolis quanto o show em Guaramirim (que acabamos tocando cerca de uma hora e meia cada show) podemos constatar um carinho muito grande por parte do público presente e nesse momento só posso utilizar esse espaço para agradecer a todos que vem através dessa insistência mantendo a banda viva nos lugar que não podemos tocar com freqüência. Em relação ao tempo de duração dos shows, pra gente é legal porque podemos tocar várias musicas do disco novo e várias músicas dos outros discos (sempre atendendo a pedidos do público).


Os Legais pra mim foi a surpresa da noite. Já tinha ouvido falar (e mal diga-se de passagem he he) mas o legal é estar ali conferindo tudo de perto. Poderia usar a metáfora mais canalha e defini-los como um falo gigantesco derramando no público muito isopor, (acharam que eu ia dizer outra coisa). Foi mais ou menos assim que começou o show deles.

Cerca de seis músicos (!?) no palco e mais uma participação especial do Edison (ex-The Power of Bira) fazendo uma performance com uma serra elétrica e uma máquina de lavar roupas. A banda tem um tropicalismo alegórico impressionante.


Repare no fã chorando emocionado acima...

Fantasias de carnaval com colagens de revistas pornográficas pelo corpo dos integrantes. O vocalista entra com um carrinho de compras e berra ao microfone distribuindo muitas lâminas de isopor para o público que se esbofeteia quebrando o isopor uns nos outros. O público explode como um orgasmo gigantesco.

O Edison vai até o microfone e em meio a muita diversão, caos desordem e quase destruição pede que o público não faça tanto barulho porque eles não conseguem se concentrar na música. Música??? Que Música?! Os Legais é muito mais do que música.

O som é infernal como uma noite de amor caliente. As letras sempre tirando muito sarro em versões estapafurdias de hits da música nacional. Não vou reproduzir aqui em palavras porque talvez não seja a hora e nem o local apropriado. Só sei dizer que é o show é muito divertido e legal.

O tempo de duração do show é interminável. Eles anunciam no microfone que só acabam o show quando todo mundo for embora. Pois bem eu fui embora e não sei como foi o desfecho disso tudo. Mas tenho a plena convicção de que alguém vai ter que limpar aquela sujeira toda.

...........Por Roberto Panarotto..........
originalmente publicado em http://www.agitocombalalauu.blogger.com.br

 

e o cara do som...

 

 

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