Os Legais e a demência da desgraça profunda.

 

Entrevista originalmente publicada em 2005, no www.tramavirtual.com.br

Os Legais 2006

Com mais de 20 discos em sua discografia, os paranaenses d'Os Legais fazem punk sujo com letras bizarras: Com músicas que vão do punk sujo ao nível extremo da bizarrice, a banda paranaense Os Legais tem talvez os integrantes mais produtivos do meio independente. Afinal, desde 1996, o grupo vem gravando discos, trilhas sonoras e filmes, e distribuindo sua criatividade da melhor maneira possível. No total, incluindo singles e trilhas, a discografia dos Legais já conta com mais de 20 álbuns. Musicalmente, a banda é influenciada por nomes como D.R.I. e Melt Banana, embora em um sentido mais amplo podemos dizer que o isopor e lixo também servem como inspiração. Em entrevista por e-mail, o guitarrista e mentor Gurcius Gewdner falou à TramaVirtual sobre o extenso mundo dos Legais, contando em minúncias os quase 10 anos da banda.


1) Como e quando surgiu a banda?

Tudo começou em maio de 1982 com uma série de sonhos premonitórios que passaram a atormentar minha mãe, que estava em período de gestação. Diante dela havia o mar, que subitamente se transformou em uma massa de lixo e excrementos vindo em sua direção. Esse sonho teve outras reviravoltas e desdobramentos que já discuti anteriormente em outras entrevistas, desdobramentos que se completam nos sonhos de outros membros. Ela ainda me conta sobre esses sonhos com temor. Todos os membros que passaram e ainda passarão repetem histórias sobre sonhos e visões durante o período de gestação. É o que chamamos de Bulhorgia, o poder que os mortos têm de voltar ao passado ou viajar para o futuro, espalhando cultura e ensinamentos aos futuros realizadores em gestação. Quando você morre, você tem a capacidade de viajar para o passado ou futuro, invadir o período de gestação e dizer tudo que o gestante precisa fazer para tornar o mundo um lugar melhor e mais delicioso de se viver. Você pode inclusive, visitar a si mesmo e se auto educar. É o que ocorre comigo e com todos que já entraram em contato conosco ou com a magia do isopor. Por muito tempo isso se manteve apenas como uma sombra impregnada dentro de meu ser, até que em 1996 nossos caminhos se cruzaram e percebemos o que tínhamos o dever, e a missão de fazer: gravar, gravar e gravar músicas e mais músicas sem parar com toda a força de nossos estômagos, expurgar tudo que estava em nossas mentes desde o período de gestação.

A banda foi formada por outras pessoas, não nós. E a proposta deles era fazer músicas para agradar o publico e copiar o que eles ouviam na época. Essa nunca foi e nunca vai ser a minha proposta ou de qualquer outro membro que ainda se mantenha em Os Legais. Estamos aqui para agradar essencialmente a nós mesmos e as nossas necessidades. Na primeira reunião de banda, teoricamente um ensaio,estavam presentes 5 pessoas, entre elas eu e o Marcius, em questão de minutos tomamos conta do ensaio e destruímos todos os sonhos deles. Não faríamos musicas preparadas, apenas seguiríamos nossos instintos básicos. Não acredito em aulas de música, a vontade de fazer é maior do que qualquer coisa. Dentro de alguns poucos meses nenhum deles agüentava mais conviver com a gente e foram nos abandonando, o que nos permitiu uma maior liberdade de criação e escolha de membros. O processo de transformação das apresentações ao vivo também foi gradual.

2) Quais são as principais influências?

O segredo para se manter livre de influências é matar os limites da mente em relação à música. Escute tudo que você tiver vontade, não importa o quão dissonante elas sejam. Nunca se importe com a opinião alheia. Nunca. Quem decide o ritmo das entranhas é você mesmo. Cada membro da banda tem suas influências distintas e basicamente escutamos tudo que nos agrada e parece sincero. Nossas influências são basicamente fisiológicas e ditadas por nosso próprio corpo, movimento sanguíneo e entranhas. A vontade de sempre querer fazer mais e mais é nossa maior influência, não conseguimos dormir, não conseguimos comer, não conseguimos amar se não estamos pondo em prática o fruto de nossas entranhas durante todo o tempo. O amor dentro do nosso coração e a energia pulsante que transborda de nossos dedos é a nossa maior referencia filosófica e musical. Não podemos parar, é muito amor e muita energia transbordante de uma vez só. É pior do que a dor ou a fome. É uma desgraça que aflige a alma e derrete por todos nossos poros. Nas seções de gravação decidimos as referências na hora, que podem ser desde bandas que gostamos, filmes, acontecimentos ou compositores como Burt Bacharah, que regrávamos 7 músicas, do nosso jeito é claro. Geralmente discutimos sobre o que a música vai falar na base e o resto simplesmente surge durante a gravação, tanto ritmos quanto letras. Planejamento e influências diretas são para os fracos. Trabalhamos com as vozes do coração.

3) Qual o motivo do nome?

O nome fala sobre o prazer de conviver com nós mesmos. Não existem padrões de comparação para descrever o que é passar momentos íntimos ao nosso lado, temos tanto amor pra dar que por mais que tentemos, não conseguimos deixar de amar a nós mesmos. Todos que cruzam nosso caminho sentem o mesmo prazer pulsante, uma força de amor incontrolável e sem limites. A pessoa que deu o nome a banda, fez pensando no amor que ele sentia por nós. A submissão é muito normal também, naqueles que entram em contato com nossa beleza indescritível. Infelizmente, ele não resistiu e acabou desistindo, entregando corpo e alma para Jesus.
Grupos de invejosos fundamentalistas dizem que o nome da banda não passa de uma piada de mau gosto e que nosso caráter é desprezível, mas isso não passa de conspiração de mentes malignas e monstruosas.

4) Vocês lançaram o primeiro disco em 97. Conte um pouco sobre como foi
gravar e lançar esse disco.

São 28 músicas que captam o período mais puro e bruto da banda,pois capta um período mais curto de tempo,já que são gravações de 1996 e 1997. Nos discos seguintes, e isso é uma tendência que permanecerá por todo o sempre, nossa gama de anos e opções aumentou e permanece em constante evolução. Em todos os discos você encontra gravações que passam por todos os nossos anos de existência. É um disco sem a presença de Iuguru Magnor e com constantes conflitos internos, os demais membros não acreditavam que estávamos seguindo aquele caminho e gritavam de horror e desespero. Com mão de ferro e muita violência fizemos com que eles gravassem as musicas conosco, todos entraram em crise de identidade e depressão após as gravações, menos eu e Marcius. Grandes sucessos saíram deste disco e ainda tocamos os principais hits nos shows, para o êxtase supremo da platéia. O disco reúne gravações de estúdio e em casa, sempre refazemos algumas das musicas gravadas em casa no estúdio, que é o caso de algumas aqui. As outras foram todas gravadas e compostas ao mesmo tempo. Foi um disco que despertou muito ódio pra cima da gente, não tenho idéia do por que. Também fez muita gente desistir da musica e procurar outras coisas pra fazer. Para saber mais detalhes sobre ele, entrem no nosso site e dêem uma olhada na seção de Discos, onde comentamos musica por musica na seção de discografia comentada. Em seguida a esse disco, passamos 3 anos gravando musicas personalizadas para o público, nossos patrocinadores.


5) Neste ano, a banda lançou Froto Ivo, disco duplo com 35 músicas. Fale sobre esse disco.

Na verdade Froto Ivo tem 32 músicas, 32 caminhos de sabedoria pra ser mais exato. O disco com 35 músicas é o split CD com o músico canadense Willie Kampff, que recentemente esteve disponível para audição pública na exposição do Carlos Issa (Objeto Amarelo) no Resfest 2004, ao lado de bandas como Pexbaa, Shiksa, Ordinária Hit, entre outros. O disco é um tributo aos traumas de infância, divididos em 35 estágios. Mas voltando ao Froto Ivo: esse disco é o fim de um estágio e por isso ele é duplo. Nele se encontram gravações de 1993 (quando gravávamos em separado, sem nos conhecer) a 2002, participações de Wandon Bellou e de praticamente todas as formações que passaram pela banda durante esse período. Essa liberdade para trocar de músicos me deixa muito feliz, começamos a fazer isso a partir de 1998 e só rendeu bons frutos. Além de me dar oportunidade de tocar com todas as pessoas que aprecio, mantém nossa produção sempre disforme e com colaborações de todos os tipos de pessoas maravilhosas. Wandon Bellou gravou alguns teclados nesse disco, que acabaram sendo usados no meu filme “Nosferatum” também, estamos preparando um Split CD com ele que está ficando fantástico. Na verdade já está pronto, falta fazer o encarte apenas. Como somos extremamente megalomaníacos, fizemos um encarte de 22 páginas coloridas alternadas com transparências para o Froto Ivo, ficou maravilhoso, mas deixou o disco travado por três anos. Ainda não temos condições de lançar os discos com a quantidade de cores que desejamos, então decidimos simplificar o encarte, o que não tirou a magnitude do lançamento, quem tiver um Froto em mãos vai ver. Tem musicas de seis minutos, musicas de trinta segundos, músicas instrumentais, homenagens a filmes, gravações de nossa infância, de tudo um pouco... A capa é nada menos que a Santa Ceia do novo milênio, comandada por nós, em uma linda caixinha de papelão, com algumas surpresinhas dentro.


6) A banda completa no ano que vem 10 anos de carreira. Vai ter festa, lançamentos?

Os lançamentos não param. Isso você pode ter certeza! Mas um deles está com data marcada, desde 1997 que venho captando imagens para nosso filme de uma década de Os Legais, que será lançado ano que vem. Venho catando depoimento com todo tipo de criatura desprezível e amável que encontrei nesses dez anos, além de uma série de shows, gravações, bandas consagradas tocando com nossas camisas e todo tipo de imagem horrenda relacionada a Os legais. É um tributo a nós mesmos e a todos que encontramos nestes dez anos. Serão 120 minutos do que existe de mais belo na raça humana. Um prato cheio pra qualquer um que goste de cultura underground aqui no Brasil, já que tem praticamente todos os retardados ali. Quanto a shows é sempre uma incógnita, nunca sabemos quantos shows faremos, apenas que serão poucos... Provavelmente deve acontecer um show de comemoração, mas não faço idéia de onde ou quando.

7) O que mudou nesses 10 anos?

Jorge TimmSe já éramos músicos profissionais quando começamos, agora somos a virtuose musical compactuada em carne. Com a entrada de Iuguru Magnor em 1998, o nível educacional de nossas letras sofreu um considerável aumento, começando apenas com ele e depois afetando a cabeça de todo mundo em volta. No inicio nossas musicas tinham um minuto, dois no máximo. Agora as musicas podem chegar a até 8 minutos, aumentando o prazer do ouvinte ao nível máximo. Outra coisa que aumentou foi a quantidade de lixo e isopor que a gente atira na platéia, simplesmente em todos os shows que fazemos sinto a necessidade vital de conseguir cada vez mais e mais isopor. Não podemos parar, o mundo se transformará em um enorme mar de isopor, tal qual em meus sonhos! Quando tivermos condições, eu gostaria de utilizar bolinhas coloridas para o publico. Realizando os shows em locais fechados poderíamos transformar a área onde fica a platéia em enormes, GIGANTESCAS piscinas de bolinha! Espero poder fazer isso em breve. Outra coisa que também cresceu foi a nossa educação para com a platéia, especialmente o Iuguru, e prevejo que isso só tende a aumentar nos próximos shows. Ultimamente aprendi que é bom pesquisar um pouco sobre a vida de quem organiza os shows na qual você é convidado também, pra não se meter nas roubadas homéricas que já nos metemos. Resumindo, tudo aumentou de proporção, inclusive as cartas me ameaçando. Insensíveis!

8) Fale um pouco da discografia dos Legais. Afinal de contas, são vários discos, singles, coletâneas, etc.

Mantemos um ritmo sempre constante de produção e isso se traduz em nossos lançamentos. Infelizmente ainda não temos um produtor milionário que pague os discos da maneira que desejamos, com encartes ultra megalomaníacos e repletos de desenhos super coloridos, mas em breve encontraremos um marajá que posso produzir livros de luxo e pagar turnês pelo Japão pra nós. Estamos com mais uns quatro discos na manga, prontos pra lançar e já sinto falta de mais sessões de gravação, faz um tempinho já que não gravamos. Não temos um selo, então nos viramos do jeito que dá pra lançar nossas lindas músicas. Depois de nosso primeiro lançamento fizemos alguns singles pra ganhar dinheiro, um deles com o grande sucesso inédito “Leis de Newton” que vendeu um monte. Com a promoção das músicas personalizadas, que permanece até hoje, fizemos várias musicas sob encomenda. Junto com as músicas personalizadas sempre incluímos músicas inéditas, geralmente coisas que nunca lançaremos em discos oficiais. O disco com o Willie Kampff que já falei um pouco é um de meus preferidos, além do Willie ser um gênio, esse é um dos discos que mais me agrada musicalmente. Tem participação de um coral infantil e do Objeto Amarelo, e é traumatizante para os menos preparados. É nosso disco infantil, nosso tributo aos anos oitenta. Tranque seus filhos em um quarto e coloque esse disco lindo, eles vão adorar. Estou dando uma tratada no nosso primeiro disco ao vivo intitulado “Dois anos e trinta e cinco minutos sem um ano dez anos sem GG Allin” que tem versões de Burt Bacharach ao vivo e participações de piano e trompete, além de grandes sucessos como “Eu caí da ponte” e “Ideologia”. E tem nosso disco conceitual “Marcius” que é a trilha sonora do filme com mesmo nome, que deve ser meu próximo projeto lançado, esse será um verdadeiro teste de amor e devoção dos fãs, que deverão ouvi-lo 24 horas por dia sem parar. Em “O Triunvirato” já coloquei alguns trechos de making off deste filme. Nunca estamos satisfeitos com nós mesmos, sempre mais, sempre mais, sempre mais, o que acaba fazendo com que façamos mil coisas ao mesmo tempo. Aos poucos elas vão vendo a luz...

9) Vocês tem um trabalho extenso com trilhas sonoras. Como começou essa experiência e como rolam os convites?


Gurcius e Petter Baiestorf na edição de Palhaço Triste (2003).Geralmente os filmes que usaram Os Legais ou qualquer outro projeto na trilha sonora são dirigidos por amigos de longa data como o incansável Petter Baiestorf. No caso do Petter ele tem como uma espécie de regra interna sempre utilizar a música de bandas underground na trilha sonora de seus filmes, ele não utiliza bandas ultra conhecidas, nunca. Ele foi o primeiro a utilizar nossa musica. Alêm dele tem músicas em meus próprios filmes e os outros realizadores que utilizaram a gente também são amigos. Geralmente nossa música é utilizada em momentos de confusão mental dos protagonistas ou para irritar quem está vendo. A música do Tzodoma Popo no filme “Porquê Sou Brasileiro” do Baiestorf ficou uma beleza!


10) Você também tem um grande trabalho como diretor. Fale sobre esse trabalho e como ele se encontra com as músicas dos Legais.

Meus filmes são uma extensão do que começamos com Os Legais, não conseguimos ficar parados, precisamos fazer tudo que nossos impulsos determinam e foi natural começarmos a filmar também. Comecei com o documentário “Poluição dos Mares e Oceanos” e agora tenho uma série de longas na fila de edição, a última obra que filmamos foi o Road Movie “Goiânia é um Mau Agouro” sobre a nossa viagem mística dentro de um carro lotado de pessoas e isopor para tocar na Bananada em Goiânia. Se passa quase inteiro dentro do carro, basicamente um documentário de estrada, uma jornada de dor e suor melequento grudando no vidro, um “Rabid Dogs” dos retardados e pobres. Meu ultimo filme lançado é o média “Dia de Ano” que é um mergulho na alma de Iuguru Magnor, é uma festa comemorativa de ano novo misturada com algumas animações feitas com meus desenhos. O filme é perfeito para encontros de família e momento de relaxamento, indicados para pessoas que desejam se purificar e buscar a paz interior. As palavras de Iuguru vão adentrar sua mente e fazer de você um ser humano muito mais evoluído em harmonia com o meio. As reações têm sido variadas com ódio e amor brotando de todos os lados, como sempre. Em breve estará a venda no site, o nosso primeiro DVD, com “O Triunvirato” e mais 3 curtas meus, além de extras separados especialmente para acompanhar o Triunvirato. Esse filme é um documentário feito por pressão do publico que me mandavam cartas me ameaçando e reclamando porque demoramos tanto pra lançar nossos frutos de amor, O Triunvirato é a resposta que todos aguardavam. O “Dia de Ano” provavelmente será lançado em parceria com outros realizadores retardados, numa coletânea de 3 ou 4 médias.


Gurcius em "População"(2004).11) Ainda sobra tempo para diversos projetos solo. Fale um pouco desses projetos.

Não são exatamente projetos solo e sim projetos paralelos e independentes de Os Legais. Além de toda a atividade que fazemos com Os Legais e a produção de filmes, faço vocal no projeto de Monarco Dance: Súditos do Amor, que tem como proposta recuperar e dignidade e o perigo do rock através da monarquia e da dança, traremos os bons tempos da monarquia amorosa para o novo milênio. Nosso primeiro sucesso é “Vós Cantares” que fala do prazer de ser rei e cavalgar livremente pela grama macia. Eu como imperador do mundo, e de meu reino supremo, tenho larga experiência de cavalgadas e batalhas em prol do amor. Também toco, ao lado dos irmãos Bertolowsky, no Tzodoma Popo, um projeto de músicas afrodisíacas infantis, criado especialmente para momentos de relaxamento. Estamos com o primeiro disco pronto, são 13 músicas que trarão o delírio, para casais apaixonados e solteirões de todas as idades. Temos a sensualidade a flor da pele e conseguimos transpor todo nosso lado erótico para a música. Nós mesmos tivemos ereções várias vezes durante as gravações, nossa sensualidade é tão sensual que nós mesmos não resistimos a ela. É demais, não agüento. O Tzodoma Popo está aqui, para representar os órfãos da palavra erotismo sensual, as pessoas que não conseguem mais dormir a noite porque o erotismo está morto. Para estas pessoas, que antes não viam um futuro promissor, não conseguiam ver luzes e flores crescerem no horizonte, minha voz está aqui: para retirar os sentimentos delas da sarjeta. Escute minha voz sensual e adentre em um mundo de sonhos. Tudo está tranqüilo agora. Além destes projetos, tem o Spindove que fez um disco baseado no meu filme “Mamilos em Chamas” que escrevi ao lado de J. W. Kielwagen, mentor e compositor do Spindove, o disco é uma prévia do que vai ser o filme e tem vocais meus e do Iuguru, que trabalhamos na dublagem do filme. Todos estes projetos que estou citando têm algumas musicas a disposição no site da Trama, pra quem quiser.


Climax (2006) : Clip do Mechanics com direção de Gurcius...12) Pode-se dizer que toda a obra dos Legais, e seus integrantes, é bem bizarra?


Talvez o seja pra quem assiste de fora, para mim, é o meu dia a dia, meu cotidiano, minha forma de respirar livre. Para o resto do mundo isopor é apenas lixo, quando eu vejo o isopor em toda sua pureza e magnitude abandonado por becos e ruas imundas e defecadas, meu impulso para levá-lo pra casa é imediato. É o mesmo impulso que move as pessoas a estourar as bolinhas do plástico bolinha quase que instintivamente, eu não sou tão pervertido assim, quando vejo plástico bolinha, as bolas permanecem intactas. Não é a função delas, serem estouradas sem um propósito. Usamos o isopor com um propósito muito bem definido, que é canalizar as energias do publico em algo construtivo e saudável. O publico está mal acostumado, as pessoas não sabem se comportar decentemente em shows de rock, os shows de hardcore mataram a dança. Já que não sabem mais dançar, que ao menos destruam algo especialmente preparado pra isso. Bizarro é você ligar o rádio e a televisão e se sentir bem assim, em todo país as pessoas se trancam em casa e assistem e ouvem essa merda, apodrecendo a alma e matando a vontade própria. Não acredito que milhares e milhares de pessoas simplesmente querem assistir exatamente à mesma coisa. Simplesmente perderam a vontade própria, estão mortos.

13) E o futuro? O que vem por aí dos Legais?

Bem, acho que ao longo da entrevista eu falei de uma série de projetos futuros que estamos preparando, ainda tem muito mais. Aos poucos vamos fazendo, sem pressa. Vocês podem acompanhar tudo em www.bulhorgia.com.br , esse site é a central de informação de tudo que fazemos em relação a musica, filmes e todo tipo de atividade coisa linda. Pague nossa passagem que estaremos em sua cidade espalhando o que há de mais belo na raça humana, aos montes, quilos e quilos. Permanecemos onde sempre estivemos ao longo destes dez anos, lutando por um mundo com mais isopor e energia pulsante saindo das pessoas. A gente ama todo mundo! Obrigado.

 

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