Com
mais de 20 discos em sua discografia, os paranaenses d'Os Legais
fazem punk sujo com letras bizarras: Com
músicas que vão do punk sujo ao nível extremo
da bizarrice, a banda paranaense Os Legais tem talvez os integrantes
mais produtivos do meio independente. Afinal, desde 1996, o grupo
vem gravando discos, trilhas sonoras e filmes, e distribuindo
sua criatividade da melhor maneira possível. No total,
incluindo singles e trilhas, a discografia dos Legais já
conta com mais de 20 álbuns. Musicalmente, a banda é
influenciada por nomes como D.R.I. e Melt Banana, embora em um
sentido mais amplo podemos dizer que o isopor e lixo também
servem como inspiração. Em entrevista por e-mail,
o guitarrista e mentor Gurcius Gewdner falou à TramaVirtual
sobre o extenso mundo dos Legais, contando em minúncias
os quase 10 anos da banda.
1) Como e quando surgiu a banda?
Tudo começou em maio de 1982 com uma série de sonhos
premonitórios que passaram a atormentar minha mãe,
que estava em período de gestação. Diante
dela havia o mar, que subitamente se transformou em uma massa
de lixo e excrementos vindo em sua direção. Esse
sonho teve outras reviravoltas e desdobramentos que já
discuti anteriormente em outras entrevistas, desdobramentos que
se completam nos sonhos de outros membros. Ela ainda me conta
sobre esses sonhos com temor. Todos os membros que passaram e
ainda passarão repetem histórias sobre sonhos e
visões durante o período de gestação.
É o que chamamos de Bulhorgia, o poder que os mortos
têm de voltar ao passado ou viajar para o futuro, espalhando
cultura e ensinamentos aos futuros realizadores em gestação.
Quando você morre, você tem a capacidade de viajar
para o passado ou futuro, invadir o período de gestação
e dizer tudo que o gestante precisa fazer para tornar o mundo
um lugar melhor e mais delicioso de se viver. Você pode
inclusive, visitar a si mesmo e se auto educar. É o que
ocorre comigo e com todos que já entraram em contato conosco
ou com a magia do isopor. Por muito tempo isso se manteve apenas
como uma sombra impregnada dentro de meu ser, até que em
1996 nossos caminhos se cruzaram e percebemos o que tínhamos
o dever, e a missão de fazer: gravar, gravar e gravar músicas
e mais músicas sem parar com toda a força de nossos
estômagos, expurgar tudo que estava em nossas mentes desde
o período de gestação.

A
banda foi formada por outras pessoas, não nós. E
a proposta deles era fazer músicas para agradar o publico
e copiar o que eles ouviam na época. Essa nunca foi e nunca
vai ser a minha proposta ou de qualquer outro membro que ainda
se mantenha em Os Legais. Estamos aqui para agradar essencialmente
a nós mesmos e as nossas necessidades. Na primeira reunião
de banda, teoricamente um ensaio,estavam presentes 5 pessoas,
entre elas eu e o Marcius, em questão de minutos tomamos
conta do ensaio e destruímos todos os sonhos deles. Não
faríamos musicas preparadas, apenas seguiríamos
nossos instintos básicos. Não acredito em
aulas de música, a vontade de fazer é maior do que
qualquer coisa. Dentro de alguns poucos meses nenhum
deles agüentava mais conviver com a gente e foram nos abandonando,
o que nos permitiu uma maior liberdade de criação
e escolha de membros. O processo de transformação
das apresentações ao vivo também foi gradual.

2) Quais são as principais influências?
O
segredo para se manter livre de influências é matar
os limites da mente em relação à música.
Escute tudo que você tiver vontade, não importa o
quão dissonante elas sejam.
Nunca
se importe com a opinião alheia. Nunca. Quem decide o ritmo
das entranhas é você mesmo. Cada membro da banda
tem suas influências distintas e basicamente escutamos tudo
que nos agrada e parece sincero. Nossas influências são
basicamente fisiológicas e ditadas por nosso próprio
corpo, movimento sanguíneo e entranhas. A vontade de sempre
querer fazer mais e mais é nossa maior influência,
não conseguimos dormir, não conseguimos comer, não
conseguimos amar se não estamos pondo em prática
o fruto de nossas entranhas durante todo o tempo. O amor dentro
do nosso coração e a energia pulsante que transborda
de nossos dedos é a nossa maior referencia filosófica
e musical. Não podemos parar, é muito amor e muita
energia transbordante de uma vez só. É pior do que
a dor ou a fome. É uma desgraça que aflige a alma
e derrete por todos nossos poros. Nas seções de
gravação decidimos as referências na hora,
que podem ser desde bandas que gostamos, filmes, acontecimentos
ou compositores como Burt Bacharah, que regrávamos 7 músicas,
do nosso jeito é claro. Geralmente discutimos sobre o que
a música vai falar na base e o resto simplesmente surge
durante a gravação, tanto ritmos quanto letras.
Planejamento e influências diretas são para
os fracos. Trabalhamos com as vozes do coração.
3)
Qual o motivo do nome?
O
nome fala sobre o prazer de conviver com nós mesmos. Não
existem padrões de comparação para descrever
o que é passar momentos íntimos ao nosso lado, temos
tanto amor pra dar que por mais que tentemos, não conseguimos
deixar de amar a nós mesmos. Todos que cruzam nosso caminho
sentem o mesmo prazer pulsante, uma força de amor incontrolável
e sem limites. A pessoa que deu o nome a banda, fez pensando no
amor que ele sentia por nós. A submissão é
muito normal também, naqueles que entram em contato com
nossa beleza indescritível. Infelizmente, ele não
resistiu e acabou desistindo, entregando corpo e alma para Jesus.
Grupos de invejosos fundamentalistas dizem que o nome
da banda não passa de uma piada de mau gosto e que nosso
caráter é desprezível, mas isso não
passa de conspiração de mentes malignas e monstruosas.
4) Vocês lançaram o primeiro disco em 97.
Conte um pouco sobre como foi
gravar e lançar esse disco.
São 28 músicas que captam o período
mais puro e bruto da banda,pois capta um período mais curto
de tempo,já que são gravações de 1996
e 1997. Nos discos seguintes, e isso é uma tendência
que permanecerá por todo o sempre, nossa gama de anos e
opções aumentou e permanece em constante evolução.
Em todos os discos você encontra gravações
que passam por todos os nossos anos de existência. É
um disco sem a presença de Iuguru Magnor e com constantes
conflitos internos, os demais membros não acreditavam que
estávamos seguindo aquele caminho e gritavam de horror
e desespero. Com mão de ferro e muita violência fizemos
com que eles gravassem as musicas conosco, todos entraram em crise
de identidade e depressão após as gravações,
menos eu e Marcius. Grandes sucessos saíram deste disco
e ainda tocamos os principais hits nos shows, para o êxtase
supremo da platéia. O disco reúne gravações
de estúdio e em casa, sempre refazemos algumas das musicas
gravadas em casa no estúdio, que é o caso de algumas
aqui. As outras foram todas gravadas e compostas ao mesmo tempo.
Foi um disco que despertou muito ódio pra cima da gente,
não tenho idéia do por que. Também fez muita
gente desistir da musica e procurar outras coisas pra fazer. Para
saber mais detalhes sobre ele, entrem no nosso site e dêem
uma olhada na seção de Discos, onde comentamos musica
por musica na seção de discografia comentada. Em
seguida a esse disco, passamos 3 anos gravando musicas personalizadas
para o público, nossos patrocinadores.

5) Neste ano, a banda lançou Froto Ivo, disco duplo com
35 músicas. Fale sobre esse disco.
Na
verdade Froto Ivo tem 32 músicas, 32 caminhos de sabedoria
pra ser mais exato. O disco com 35 músicas é o split
CD com o músico canadense Willie Kampff, que recentemente
esteve disponível para audição pública
na exposição do Carlos Issa (Objeto Amarelo) no
Resfest 2004, ao lado de bandas como Pexbaa, Shiksa, Ordinária
Hit, entre outros. O disco é um tributo aos traumas de
infância, divididos em 35 estágios. Mas voltando
ao Froto Ivo: esse disco é o fim de um estágio e
por isso ele é duplo. Nele se encontram gravações
de 1993 (quando gravávamos em separado, sem nos conhecer)
a 2002, participações de Wandon Bellou e de praticamente
todas as formações que passaram pela banda durante
esse período. Essa liberdade para trocar de músicos
me deixa muito feliz, começamos a fazer isso a partir de
1998 e só rendeu bons frutos. Além de me dar oportunidade
de tocar com todas as pessoas que aprecio, mantém nossa
produção sempre disforme e com colaborações
de todos os tipos de pessoas maravilhosas. Wandon Bellou gravou
alguns teclados nesse disco, que acabaram sendo usados no meu
filme “Nosferatum” também,
estamos preparando um Split CD com ele que está ficando
fantástico. Na verdade já está pronto, falta
fazer o encarte apenas. Como somos extremamente megalomaníacos,
fizemos um encarte de 22 páginas coloridas alternadas com
transparências para o Froto Ivo, ficou maravilhoso, mas
deixou o disco travado por três anos. Ainda não temos
condições de lançar os discos com a quantidade
de cores que desejamos, então decidimos simplificar o encarte,
o que não tirou a magnitude do lançamento, quem
tiver um Froto em mãos vai ver. Tem musicas de seis minutos,
musicas de trinta segundos, músicas instrumentais, homenagens
a filmes, gravações de nossa infância, de
tudo um pouco... A capa é nada menos que a Santa Ceia do
novo milênio, comandada por nós, em uma linda caixinha
de papelão, com algumas surpresinhas dentro.
6)
A banda completa no ano que vem 10 anos de carreira. Vai ter festa,
lançamentos?
Os
lançamentos não param. Isso você pode ter
certeza! Mas um deles está com data marcada, desde 1997
que venho captando imagens para nosso filme de uma década
de Os Legais, que será lançado ano que vem. Venho
catando depoimento com todo tipo de criatura desprezível
e amável que encontrei nesses dez anos, além de
uma série de shows, gravações, bandas consagradas
tocando com nossas camisas e todo tipo de imagem horrenda relacionada
a Os legais. É um tributo a nós mesmos e a todos
que encontramos nestes dez anos. Serão 120 minutos do que
existe de mais belo na raça humana. Um prato cheio pra
qualquer um que goste de cultura underground aqui no Brasil, já
que tem praticamente todos os retardados ali. Quanto a shows é
sempre uma incógnita, nunca sabemos quantos shows faremos,
apenas que serão poucos... Provavelmente deve acontecer
um show de comemoração, mas não faço
idéia de onde ou quando.
7) O que mudou nesses 10 anos?
Se
já éramos músicos profissionais quando começamos,
agora somos a virtuose musical compactuada em carne. Com a entrada
de Iuguru Magnor em 1998, o nível educacional de nossas
letras sofreu um considerável aumento, começando
apenas com ele e depois afetando a cabeça de todo mundo
em volta. No inicio nossas musicas tinham um minuto, dois no máximo.
Agora as musicas podem chegar a até 8 minutos, aumentando
o prazer do ouvinte ao nível máximo. Outra coisa
que aumentou foi a quantidade de lixo e isopor que a gente atira
na platéia, simplesmente em todos os shows que fazemos
sinto a necessidade vital de conseguir cada vez mais e mais isopor.
Não podemos parar, o mundo se transformará em um
enorme mar de isopor, tal qual em meus sonhos! Quando tivermos
condições, eu gostaria de utilizar bolinhas coloridas
para o publico. Realizando os shows em locais fechados poderíamos
transformar a área onde fica a platéia em enormes,
GIGANTESCAS piscinas de bolinha! Espero poder fazer isso em breve.
Outra coisa que também cresceu foi a nossa educação
para com a platéia, especialmente o Iuguru, e prevejo que
isso só tende a aumentar nos próximos shows. Ultimamente
aprendi que é bom pesquisar um pouco sobre a vida de quem
organiza os shows na qual você é convidado também,
pra não se meter nas roubadas
homéricas que já nos metemos. Resumindo,
tudo aumentou de proporção, inclusive as cartas
me ameaçando. Insensíveis!
8)
Fale um pouco da discografia dos Legais. Afinal de contas, são
vários discos, singles, coletâneas, etc.
Mantemos
um ritmo sempre constante de produção e isso se
traduz em nossos lançamentos. Infelizmente ainda não
temos um produtor milionário que pague os discos da maneira
que desejamos, com encartes ultra megalomaníacos e repletos
de desenhos super coloridos, mas em breve encontraremos um marajá
que posso produzir livros de luxo e pagar turnês pelo Japão
pra nós. Estamos com mais uns quatro discos na manga, prontos
pra lançar e já sinto falta de mais sessões
de gravação, faz um tempinho já que não
gravamos. Não temos um selo, então nos viramos do
jeito que dá pra lançar nossas lindas músicas.
Depois de nosso primeiro lançamento fizemos alguns singles
pra ganhar dinheiro, um deles com o grande sucesso inédito
“Leis de Newton” que vendeu um monte. Com a promoção
das músicas personalizadas, que permanece até hoje,
fizemos várias musicas sob encomenda. Junto com as músicas
personalizadas sempre incluímos músicas inéditas,
geralmente coisas que nunca lançaremos em discos oficiais.
O disco com o Willie Kampff que já falei um pouco é
um de meus preferidos, além do Willie ser um gênio,
esse é um dos discos que mais me agrada musicalmente. Tem
participação de um coral infantil e do Objeto
Amarelo, e é traumatizante para os menos preparados.
É nosso disco infantil, nosso tributo aos anos oitenta.
Tranque seus filhos em um quarto e coloque esse disco lindo, eles
vão adorar. Estou dando uma tratada no nosso primeiro disco
ao vivo intitulado “Dois anos e trinta e cinco minutos sem
um ano dez anos sem GG Allin” que tem versões de
Burt Bacharach ao vivo e participações de piano
e trompete, além de grandes sucessos como “Eu caí
da ponte” e “Ideologia”. E tem nosso disco conceitual
“Marcius” que é a trilha sonora do filme com
mesmo nome, que deve ser meu próximo projeto lançado,
esse será um verdadeiro teste de amor e devoção
dos fãs, que deverão ouvi-lo 24 horas por dia sem
parar. Em “O Triunvirato” já coloquei alguns
trechos de making off deste filme. Nunca estamos satisfeitos
com nós mesmos, sempre mais, sempre mais, sempre mais,
o que acaba fazendo com que façamos mil coisas
ao mesmo tempo. Aos poucos elas vão vendo a luz...

9) Vocês tem um trabalho extenso
com trilhas sonoras. Como começou essa experiência
e como rolam os convites?
Geralmente
os filmes que usaram Os Legais ou qualquer outro projeto na trilha
sonora são dirigidos por amigos de longa data como o incansável
Petter Baiestorf. No caso do Petter ele tem como
uma espécie de regra interna sempre utilizar a música
de bandas underground na trilha sonora de seus filmes, ele não
utiliza bandas ultra conhecidas, nunca. Ele foi o primeiro a utilizar
nossa musica. Alêm dele tem músicas em meus próprios
filmes e os outros realizadores que utilizaram a gente também
são amigos. Geralmente nossa música é utilizada
em momentos de confusão mental dos protagonistas ou para
irritar quem está vendo. A música do Tzodoma Popo
no filme “Porquê Sou Brasileiro” do Baiestorf
ficou uma beleza!
10)
Você também tem um grande trabalho como diretor.
Fale sobre esse trabalho e como ele se encontra com as músicas
dos Legais.
Meus
filmes são uma extensão do que começamos
com Os Legais, não conseguimos ficar parados, precisamos
fazer tudo que nossos impulsos determinam e foi natural começarmos
a filmar também. Comecei com o documentário “Poluição
dos Mares e Oceanos” e agora tenho uma série de longas
na fila de edição, a última obra que filmamos
foi o Road Movie “Goiânia é um Mau Agouro”
sobre a nossa viagem mística dentro de um carro lotado
de pessoas e isopor para tocar na Bananada em Goiânia. Se
passa quase inteiro dentro do carro, basicamente um documentário
de estrada, uma jornada de dor e suor melequento grudando no vidro,
um “Rabid Dogs” dos retardados e pobres. Meu
ultimo filme lançado é o média “Dia
de Ano” que é um mergulho na alma de Iuguru Magnor,
é uma festa comemorativa de ano novo misturada com algumas
animações feitas com meus desenhos. O filme é
perfeito para encontros de família e momento de relaxamento,
indicados para pessoas que desejam se purificar e buscar a paz
interior. As palavras de Iuguru vão adentrar sua mente
e fazer de você um ser humano muito mais evoluído
em harmonia com o meio. As reações têm sido
variadas com ódio e amor brotando de todos os lados, como
sempre. Em breve estará a venda no site, o nosso
primeiro DVD, com “O Triunvirato” e mais 3 curtas
meus, além de extras separados especialmente para
acompanhar o Triunvirato. Esse filme é um documentário
feito por pressão do publico que me mandavam cartas me
ameaçando e reclamando porque demoramos tanto pra lançar
nossos frutos de amor, O Triunvirato é a resposta que todos
aguardavam. O “Dia de Ano” provavelmente será
lançado em parceria com outros realizadores retardados,
numa coletânea de 3 ou 4 médias.
11)
Ainda sobra tempo para diversos projetos solo. Fale um pouco desses
projetos.
Não
são exatamente projetos solo e sim projetos paralelos e
independentes de Os Legais. Além de toda a atividade que
fazemos com Os Legais e a produção de filmes, faço
vocal no projeto de Monarco Dance: Súditos do Amor, que
tem como proposta recuperar e dignidade e o perigo do rock através
da monarquia e da dança, traremos os bons tempos da monarquia
amorosa para o novo milênio. Nosso primeiro sucesso é
“Vós Cantares” que fala do prazer de ser rei
e cavalgar livremente pela grama macia. Eu como imperador do mundo,
e de meu reino supremo, tenho larga experiência de cavalgadas
e batalhas em prol do amor. Também toco, ao lado dos irmãos
Bertolowsky, no Tzodoma Popo, um projeto de músicas afrodisíacas
infantis, criado especialmente para momentos de relaxamento. Estamos
com o primeiro disco pronto, são 13 músicas que
trarão o delírio, para casais apaixonados e solteirões
de todas as idades. Temos a sensualidade a flor da pele e conseguimos
transpor todo nosso lado erótico para a música.
Nós mesmos tivemos ereções várias
vezes durante as gravações, nossa sensualidade é
tão sensual que nós mesmos não resistimos
a ela. É demais, não agüento. O Tzodoma Popo
está aqui, para representar os órfãos da
palavra erotismo sensual, as pessoas que não conseguem
mais dormir a noite porque o erotismo está morto. Para
estas pessoas, que antes não viam um futuro promissor,
não conseguiam ver luzes e flores crescerem no horizonte,
minha voz está aqui: para retirar os sentimentos delas
da sarjeta. Escute minha voz sensual e adentre em um mundo de
sonhos. Tudo está tranqüilo agora. Além destes
projetos, tem o Spindove que fez um disco baseado no meu filme
“Mamilos em Chamas” que escrevi ao lado de J. W. Kielwagen,
mentor e compositor do Spindove, o disco é uma prévia
do que vai ser o filme e tem vocais meus e do Iuguru, que trabalhamos
na dublagem do filme. Todos estes projetos que estou citando têm
algumas musicas a disposição no site da Trama, pra
quem quiser.
12)
Pode-se dizer que toda a obra dos Legais, e seus integrantes,
é bem bizarra?
Talvez o seja pra quem assiste de fora, para mim, é o meu
dia a dia, meu cotidiano, minha forma de respirar livre. Para
o resto do mundo isopor é apenas lixo, quando eu vejo o
isopor em toda sua pureza e magnitude abandonado por becos e ruas
imundas e defecadas, meu impulso para levá-lo pra casa
é imediato. É o mesmo impulso que move as pessoas
a estourar as bolinhas do plástico bolinha quase que instintivamente,
eu não sou tão pervertido assim, quando vejo plástico
bolinha, as bolas permanecem intactas. Não é a função
delas, serem estouradas sem um propósito. Usamos
o isopor com um propósito muito bem definido, que é
canalizar as energias do publico em algo construtivo e saudável.
O publico está mal acostumado, as pessoas não
sabem se comportar decentemente em shows de rock, os shows de
hardcore mataram a dança. Já que não sabem
mais dançar, que ao menos destruam algo especialmente preparado
pra isso. Bizarro é você ligar o rádio
e a televisão e se sentir bem assim, em todo país
as pessoas se trancam em casa e assistem e ouvem essa merda, apodrecendo
a alma e matando a vontade própria. Não
acredito que milhares e milhares de pessoas simplesmente querem
assistir exatamente à mesma coisa. Simplesmente perderam
a vontade própria, estão mortos.
13)
E o futuro? O que vem por aí dos Legais?
Bem,
acho que ao longo da entrevista eu falei de uma série de
projetos futuros que estamos preparando, ainda tem muito mais.
Aos poucos vamos fazendo, sem pressa. Vocês podem acompanhar
tudo em www.bulhorgia.com.br , esse site é a central de
informação de tudo que fazemos em relação
a musica, filmes e todo tipo de atividade coisa linda. Pague nossa
passagem que estaremos em sua cidade espalhando o que há
de mais belo na raça humana, aos montes, quilos e quilos.
Permanecemos onde sempre estivemos ao longo destes dez anos, lutando
por um mundo com mais isopor e energia pulsante saindo das pessoas.
A gente ama todo mundo! Obrigado.

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