
Você
nunca ouviu falar na banda Os Legais? Em que underground você
está vivendo? Para alguns uma banda razoável e para
muitos e muitos e muitos a pior banda que este planeta infame
já teve a capacidade de parir. Será? Quer saber
como é o som destes rapazes catarinenses? Vamos lá:
misture punk-rock insano e ultra-hiper-mau-tocado com música
clássica de CD contrabandeado, somado ainda à pitadas
de Jazz raiz daquelas bandas formadas por presidiários
tailandeses da década de 30 e de quebra música infantil
do palhaço Bozo Junk, vocês terão uma pequena
e parcial idéia do que são Os Legais. Você
pode até não gostar do som da banda, mas após
escutar o seu CD não será mais o mesmo boboca. Muito
possivelmente será um pouco mais babaca ainda. A seguir
uma polêmica entrevista realizada com a banda em questão.
Durante as perguntas o clima acabou ficando demasiadamente tenso
e em consideração a integridade física de
todos nós, preferimos encerar a porra da entrevista e irmos
tomar umas cervejas para esquecer das enormes brigas que ficaram
para trás.
MACEDUSSS
- Vocês são realmente Legais? Qual a relação
estética do Palhaço (junky) Bozo nas composições
musicais da banda?
DOM
ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Mas é obvio que somos
legalizados porra! Essa pergunta me ofende! É só
falar 10 segundos com a gente e você não tem outra
opção a não ser nos amar intensamente com
todas as forças até querer lamber todo nosso corpo
com creme de chantili por cima. Somos as pessoas mais amáveis
de toda a história da humanidade. Como você leu nossa
entrevista na folha de São Paulo com certeza sabe dos sonhos
premonitórios que minha mãe teve durante minha gestação
acerca das enormes ondas de lixo e isopor vindas do mar em sua
direção. Estes sonhos acompanharam ela, e todos
os membros e agregados aos Legais, começando no intimo
de suas mães e transmitidos após o nascimento. Nossas
futuras esposas compartilham o mesmo sonho e é inevitável
que as encontremos para perpetuar o nosso sangue e músicas
de geração em geração. Repetidas vezes
minha mãe disse ter visto em meio ao lixo um ser de nariz
fungante e cabelos vermelhos sendo tragado em meio a toneladas
de lixo, ele suspirava e dizia coisas sem sentido que de acordo
com as profecias se revelarão aos poucos a mim através
de meus sonhos. A única coisa que sei é que muitos
de nossos fãs compartilham dos mesmos hábitos de
consumo e prazer praticados por este enigmático ente colorido.Muitas
verdades ainda se revelarão no futuro.Somos todos seres
iluminados e nossas canções simplesmente brotam
todos os dias de nossas lindas entranhas, como um milagre. É
fantástico quanto amor brota dentro de nós todos
os dias.
MACEDUSSS
– Os shows... Nota-se pelas páginas dos fanzines que nesta
última década a banda Os Legais tem construído
uma história repleta de apresentações insanas.
É nos shows que a banda realmente existe?
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - Os shows de Os Legais ocorrem de forma totalmente
anti periódica, geralmente uma ou duas vezes ao ano. Geralmente
não tocamos duas vezes no mesmo lugar e quando o dono do
estabelecimento aprova nosso show, o local vai a falencia logo
depois não sei porque motivo. Os shows são
antes
de tudo novas sessões de composição e o momentoem
que entramos em comunhão completa e eterna com o público
misturando mutuamente nossos corpos suados com lixo macio e gostoso.
É o momento onde canalizamos todas as energias da pláteia
em prol de um só objetivo: onde lixo, público e
música se tornam um só. Somos músicos extremamente
profissionais, por isso nunca ensaiamos, já que desde a
primeira vez as músicas já saem como a gente quer
e sem razão de repetição. Quando tocamos
uma música ao vivo, ela sai exatamente como foi composta,
o que nos permite tocar musicas de qualquer compositor do planeta.
Apenas ouvindo uma vez nossos ouvidos e técnica super apurados
já conseguem executar a música exatamente como ela
é e se mudamos é sempre para melhor. Por isso quando
você vai ver Os Legais ao vivo, pode ter a certeza de que
está vendo uma banda 100% profissional. Pelo fato de que
nos tornamos uma coisa só, ninguém existe quando
está em um show de Os Legais. Nos tornamos superiores aos
Deuses e temos o poder de dominar todo o universo. Quando juntarmos
três mil pessoas em show, a concentração de
poder cósmico será tão grande que finalmente
o apocalipse se realizará, cumprindo as profecias e englobando
todo o universo na palma de nossas mãos.
MACEDUSSS
– Na entrevista/matéria que saiu com vocês no jornal
Folha de SP o que me deixou mais intrigado foi os comentários
degradantes de alguns entrevistados sobre o DVD “10 anos da banda
Os Legais” que vocês estão produzindo. Qual que é
deste DVD?
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - Primeiro eu queria deixar registrado aqui que
nossas palavras foram modificadas, editadas e distorcidas na entrevista
que demos para o jornal. Tudo o que eu disse foi alterado não
sei por que motivo. Este é um DVD comemorativo, se chama
Home Vídeo em Decadência e será lançado
em 2006, englobando os dez anos de apresentações
de Os Legais com depoimentos de fãs, bastidores, brigas
internas, imagens de shows, turnês, sessões de composição
e ainda muito mais. Estamos filmando desde 1997 e é nosso
tributo a nós mesmos e aos fãs com um pouco de tudo
que aconteceu nestes dez anos. Ainda inclui apresentações
de outras bandas usando a camisa de Os legais como Agnostic Front
e What Happens Next?, entre outras, além dos depoimentos
de indíviduos de todas as partes do mundo falando o quanto
Os Legais mudou a vida deles pra melhor, e pra mostrar que somos
extremamente democráticos tem os depoimentos daqueles que
não aprovam a banda, segundos antes de serem devidamente
espancados e sodomizados por nossos seguranças. É
claro que o filme será editado de forma totalmente imparcial
e não tentaremos passar a imagem de gênios que realmente
somos.

MACEDUSSS
– No show mitológico de Santo Antonio Da Patrulha – RS,
no ano passado (17 de novembro de 2003) qual foi o motivo da briga
(de Egos?) entre vocês e a banda MACEDUSSS & Os Desajustados?
Eu estava lá lógico. A briga foi com a minha banda...
Muitas coisas para mim ainda não estão claras. Gostaria
de um pouco mais de explicações.
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - Bom primeiro eu queria dizer que não
houve briga de egos alguma já que todo mundo sabe que nós
somos superiores a todo mundo no mundo e que todos os mortais
do universo nos devem obediencia eterna. O problema são
essas pessoas estupidas e inferiores que não entendem as
leis eternas da vida e vem tentar desafiar nossa autoridade. Tudo
começou com um mau entendido no camarim envolvendo nossas
opções sexuais e como eu já disse nossa suprema
autoridade. Os membros dessa banda aí que você vergonhosamente
participa viram coisas que não deveriam ter visto, interpretaram
mal e ainda por cima se recusaram a obedecer nossas ordens. Todos
aqueles que se recusam a fazer o que a gente manda são
punidos de forma severa, repugnante e prazeirosa, como realmente
aconteceu naquela noite. Não gosto de lembrar daqueles
momentos apesar dos shows terem sido ótimos! Mas avaliando
agora que já um tempo que isso ocorreu acho que eles devem
ter entendido tudo e agora se colocam em seus devidos lugares,
como todo mundo.

MACEDUSSS–
Sobre o festival “10 anos sem G.G. Allin”, não teria como
não perguntar. Qual o papel deste senhor para a formação
do caráter dos integrantes da banda?
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - Como você já sabe, logo após
a morte ganhamos o poder de viajar para o futuro, passado e presente.
Logo após a minha morte que ainda não aconteceu,
eu viajei para o passado e entrei nos sonhos da mãe de
GG Allin quando estava em seu período de gestação
e lhe disse tudo que ele deveria fazer para salvar o futuro e
a dignidade do rock. Sendo eu o responsável pelas raízes
de plantio do cárater moral de Allin. Após sua morte
ele me retribui o favor indo aos sonhos de minha mãe e
fazendo o mesmo. Um dos principais motivos que nos levou a montar
este evento em 2003 foi a sensação de tudo aquilo
que ele lutou em sua carreira estava se perdendo dando lugar ao
cada vez mais crescente moralismo enrustido dos punks de boutique.
Se ele estivesse vivo em 2004 provavelmente já teria dado
um tiro na cabeça ou matado todo mundo vendo os desfiles
de moda e palanque de discurso hipócrita em que se transformaram
os shows de hardcore, com mentes cada vez mais presas e com exagerada
tendência à chatice e panfletagem moralista te dizendo
o que fazer. Aproveitamos a data para celebrar o Kanibaru Sinema
e transmitir filmes transgressores de vários lugares do
mundo que carregam o espírito de alegria e amor transmitidos
em tudo que GG Allin fez, além da palestra de Petter Baiestorf
e vários eventos e shows paralelos que rolaram durante
o evento. Foi muito bom, mas um ano depois o que parece é
que o evento surtiu efeito contrário com as patrulhas ideológicas
enrustidas de punks agindo com mais força e moralismo carola
do que nunca....
MACEDUSSS
– Agora uma pergunta normal! Qual a formação da
banda?
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - Os Legais é multi-facetado e subdividido
acima de tudo de acordo com as vontades e desejos do supremo e
incontestável Triunvirato Supremo de Os Legais. Que é
composto por mim, representando a parte de majestade, magnitude,
racionalidade e beleza. Iuguru Magnor, que é nosso mentor
espiritual e quem mantém o equilíbrio no grupo.
Por fim, Marcius, que é nosso núcleo de dança
esportiva e de amor delicioso e pulsante. Além do triunvirato
temos mais de trinta músicos contratados e espalhados por
todas as partes do mundo sempre à nossa disposição.
Para compor utilizamos um sistema de rodízio constante
onde tocamos com máxima perfeição todos os
instrumentos que estiverem à disposição.
A composição básica de instrumentos para
um dia de gravação normal é um baixo, microfone
acoplado no aparelho gravador, duas guitarras e nossa amada bateria
de caixas de papelão, latas e carrinho de mão. Bateria
de verdade só temos chance de usar ao tocar ao vivo ou
em estúdio. Além do Triunvirato, estamos com uma
formação de músicos fixos que foi a que nos
acompanhou em nossa ultima seção de estúdio:
Marcucceli Caldato, mestre de acordeon e nosso pianista oficial
com sete anos de formação clássica.

Alejandro Gutierrez,
que já tocou na banda de 1998 a 1999 e que retornou em
2003. Hans Konesky: escritor, compositor e multi-instrumentista
especialista. Nietzche Starling, que além de baterista
é também o produtor e ator de meu filme “Gotículas
da Criação”. J. W. Kielwagen que faz participações
ocasionais em nossas gravações e escreveu junto
comigo o roteiro do filme “Mamilos em Chamas”, filme que agora
ele homenageia no segundo disco do projeto Spindove: “Uma só
carne”. Amauri Penteado, responsável pela bateria eletrônica
e também multi-instrumentista. Na verdade, é inútil
eu usar essa expressão porque todas as pessoas com que
escolhemos tocar são capazes de tocar qualquer instrumento
em qualquer situação. Eu posso sentir se tal pessoa
é o escolhido só de sentir seu cheiro ou olhando
em seus olhos, é muito simples saber quem tem responsabilidade
suficiente para tocar em Os Legais, está escrito nas estrelas.
Mesmo se você nunca ouviu falar da gente, se passarmos por
sua cidade e você for um dos escolhidos, pode certeza que
em menos de 24 horas estará tocando e espremendo canções
de seus instrumentos como nunca fez antes, ao nosso lado. É
inevitável e previsto em período fetal. Gravamos
cerca de 50 musicas em nossa ultima reunião, sendo que
sete delas tiveram supervisão e a colaboração
do Burt Bacharah, que com a ajuda de Magnor voltou dos mortos
especialmente para gravar ao nosso lado.
MACEDUSSS
- Qual o material que vocês já tem lançado?
DOM
ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Nossa primeiro K7 foi lançado
em 1997, é auto-intitulado e tem 28 músicas. Tenho
um arquivo sempre crescente de cerca de 40 horas com gravações
de Os Legais e toda vez que queremos lançar algo retorno
a esse arquivo, escuto tudo minuciosamente e seleciono o que meu
coração manda. Não é raro encontrar
em nossos discos gravações de 1997, 99 , 2001, de
qualquer ano possível de nossa existência, por isso
dá pra dizer que essa fita é nosso trabalho mais
puro já q tem apenas músicas de 96(incluindo duas
músicas de nosso primeiro show) e 97,praticamente todas
são gravadas em 97. Ouvindo essas músicas temos
uma radiografia do que se passava em nosso intimo naquele ano,
de forma mais exata. Em nossos outros lançamentos existe
um conjunto mais amplo de nossas composições ao
longo dos anos. Entre 97 e 2000, lançamos dezenas de fitas
personalizadas e algumas edições especiais da primeira
fita. Pra quem não sabe, Os Legais é a única
banda que trabalha com o sistema de Produtos Personalizados: é
a única banda onde você ter em casa produtos e músicas
feitas especialmente feitos pra você, com o seu nome. Foi
o período onde mais fizemos k7s personalizados, quase toda
semana. Chegamos a fazer musicas de 20 minutos de duração
em homenagem a fãs, alguns até choraram de emoção
ao receber as fitas. As camisetas seguem o mesmo esquema e são
pintadas por nossas próprias mãos! Por apenas 15
reais você pode ter uma musica com seu nome, feita especialmente
para você com encarte especial e canções bônus.
Dá inclusive pra escolher o tema da música feita
pra você. A camisa pode girar em torno de qualquer tema
escolhido e custa 20 reais, se o fã quiser também
mandamos fotos da camisa e das musicas sendo gravadas... Músicas
e camisetas personalizadas são nossa especialidade, mas
pagando fazemos qualquer serviço que prove nosso talento
supremo e interminável. Somos capazes de até mesmo
limpar a sujeira que fazemos nos bares durante nossos shows, mediante
pagamento justo, é obvio...

Mas então...Voltando
aos nossos lançamentos: depois dessa safra de fitas personalizadas
e shows ocasionais, lançamos em abril de 2000 o K7 “Bulhorgia
2000” com 18 musicas e gravações de 96 à
99. É mais complexo que a primeira, o que fez os fãs
radicais acusarem a gente de ter se vendido e de fazer músicas
comerciais, o que realmente é verdade já que Bulhorgia
foi sucesso total no país inteiro com mais de mil e oitocentas
fitas distribuídas e vendidas via correio e de mão
em mão. O que ocasionou na turnê de 2001, onde fizemos
shows em Campinas, Rio de Janeiro, Florianópolis, Guraramirim,
num total de 7 shows! Nunca fizemos tanto show na vida! Shows
cancelados em 2001 foram muitos: 8. Nunca cancelados por nós...
Em 2002, decidimos parar de nos dedicar exclusivamente a Os Legais,
não fizemos nenhum show e passamos a dar maior atenção
a nossos projetos cinematográficos, gravando a trilha e
filmando o longa metragem musical épico de Os legais: “Marcius”,
que ainda não lançamos. Paralelo a isso, gravamos
mais uma porrada de material tanto musical quanto filmado, que
ainda não lançamos. 
Em 2002 que nasce o Tzodoma Popo, meu projeto ao lado dos irmãos
Bertolowski, de música afrodisíaca para crianças.
Foi também em 2002 que decidimos que só faríamos
musicas e filmes para agradar nós mesmos e mais ninguém,
a gente grava e filma e fica ouvindo ou vendo em casa, quantas
vezes quiser, várias vezes ao dia sem ninguém por
perto, é muito melhor assim. O que significa que cada coisa
nova que fizermos o publico só vai poder ouvir uns três
ou quatro anos depois, quando a gente já tiver enjoado
de ouvir e estiver achando uma merda e nem agüentar mais
ver na frente. Esse é o momento que as outras pessoas vão
ter permissão de ter acesso a nosso material, por isso
que ainda não lançamos o Marcius, ainda gosto de
assisti-lo... Em 2003, gravamos apenas uma música, fizemos
dois shows, filmei o “Mamilos em Chamas” e fizemos a semana de
Dez anos sem GG Allin, entre outras coisas...
MACEDUSSS
- E o que é para sair dentro em breve? Aproveitem e vendam
o peixe legal de vocês.
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - Pra quem não agüenta de expectativa
pra assistir nossas tranqueiras pode acessar http://spindove.tw.st
e adquirir o disco novo do Spindove, que é inteiramente
baseado no longa “Mamilos em Chamas”, com vocais meus e de Iuguru
Magnor. Já o novo lançamento de Os Legais se chama
Froto Ivo e é um CD duplo com 32 caminhos de sabedoria,
16 em cada CD. Sempre me preocupo em selecionar uma média
de 30, 35 minutos para cada lançamento, Froto Ivo tem 70
minutos de canções inéditas, com musicas
de seis minutos e outras de 20 segundos. Participação
de Wandon Bellou, que é um pianista autodidata de Schroeder/SC,
alguns trechos da música dele no disco podem ser ouvidos
no meu curta “Nosferatum”, que foi lançado ano passado
e mais um monte de surpresas pra deliciar os fãs ávidos
por músicas novas de Os Legais. Fomos a fundo nas nossas
raízes, com gravações englobando todas as
formações da banda e com registros que vão
desde 1993 até os dias de hoje. Ainda não enjoei
de ouvir o disco e folhear o encarte, por isso só sai em
2005... O disco de estréia do Tzodoma Popo já está
pronto e deve sair em breve. Provavelmente nossos primeiros k7s
serão relançados em CD com material inédito,
mas isso é mais pra frente... Vai demorar, porque pretendo
dar uma boa ouvida em casa antes... É claro que você
escrever pra gente e adquirir ainda o CD-r com nossos dois primeiros
k7s e mais uns bônus horrendos junto...e mais um monte de
coisa que temos pra oferecer... Mas mudando um pouco de assunto:
tu tinha prometido na ultima vez que nos falamos que você
praticaria cunete grupal em todos os membros da banda espalhados
pelo mundo e que compraria 25 CDs do Froto Ivo pra revender aí
na região, tua promessa continua de pé?

MACEDUSSS
– Sim claro! E sobre as vestimentas do grupo... monstros de papelão?
Que loucura insana é essa? Estética ultra-men-sevem-papelão?
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - As vestimentas são nossas armaduras
de proteção corporal contra a platéia
insana e retardada que se mistura aos nossos corpos
durante
os shows. Tocar ao vivo é como entrar no campo de batalha
e precisamos estar devidamente preparados para guerra, nossas
armaduras de combate é que nos dão força
para continuar a oferecer boa musica para a platéia obcecada
e debilitada. O ideal é que toda platéia se prepare
para o combate já antes de sair de casa com suas devidas
armaduras de lixo que pode ser tanto orgânico quanto químico,
não temos preconceito. Recomendo fazer uma pesquisa de
campo antes do show, porque se o show for na beira de um rio ou
lago, por exemplo, o público pode se programar e trazer
isopor como instrumento de batalha principal e durante o show
jogar tudo na água pra servir de decoração,
sempre achei que faltam icebergs artificiais nos rios e lagos
deste país. Ou se o show for num encontro vegetariano,
o ideal é a platéia vir enrolada em bifes(crus ou
mal passados, de preferência carne bovina, de porco ou de
algum animal em extinção) com ombreiras de couve
flor ou repolho. Acho que quem conseguir repolho roxo para as
ombreiras brilhará como uma rainha em noite de gala. Agora
em ocasiões sem diferencial muito evidente no ambiente,
se você apenas deixar o zíper da calça aberto
e distraídamente, largar apenas um testículo pra
fora da calça como quem não quer nada, daí
nem precisa de armadura. Pesquisa de campo e planejamento nos
dias de hoje é tudo. Como eu sempre digo, não há
nada melhor do que enrolar lixo cheiroso em volta de todo o corpo,
rolar no chão e ser espancado docemente por estranhos em
público, todo mundo envolvido mais do que profundamente
em lixo e para completar tudo isso, tendo o prazer de ouvir e
executar boa música.

MACEDUSSS
– Está melhor que bom isso aqui! Aquela clássica
última pergunta eu faço aqui. Espaço aberto!
E por fim, como está o transito em Florianópolis?
DOM ADOLFUNHO GURCIUS
GEWDNER - Convide Os Legais para tocar em sua cidade,
pagando a passagem tocamos em qualquer buraco, sob quaisquer circunstancia,
em qualquer ocasião, nossos poros brotam amor musical coisa
mais linda. Entre em contato com a gente pra adquirir material,
dizer o quanto ama Os Legais e tudo que mudamos na tua vida. O
endereço pra contato é esse aí em baixo,
é uma emoção sem fim que não acaba
mais. Escrevam que a gente responde todo mundo. Assistam filmes
e escutem musica sem nunca se preocupar com rótulos e muito
menos com a opinião alheia. Quanto mais contraditório
for uma coisa em relação à outra, melhor!
Apóiem os realizadores independentes, aqueles que realizam
suas obras com a força do intimo de suas entranhas, com
coração, olhos e ouvidos sempre livres. E acima
de tudo, amado leitor, tente evitar o mal do século: a
tendência inevitável à chatice crônica
e marasmo insuportável. É o câncer do underground
que se manifesta nas mais variadas formas e tamanhos. Já
o trânsito daqui continua uma merda como sempre....

Entrevista
realizada por Dannius Macedusss.
Originalmente publicada no fanzine Derrotadosss
n° 10.
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