OS LEGAIS E O CANCÊR NO UNDERGROUND

A desolação do isopor em 2003.

Você nunca ouviu falar na banda Os Legais? Em que underground você está vivendo? Para alguns uma banda razoável e para muitos e muitos e muitos a pior banda que este planeta infame já teve a capacidade de parir. Será? Quer saber como é o som destes rapazes catarinenses? Vamos lá: misture punk-rock insano e ultra-hiper-mau-tocado com música clássica de CD contrabandeado, somado ainda à pitadas de Jazz raiz daquelas bandas formadas por presidiários tailandeses da década de 30 e de quebra música infantil do palhaço Bozo Junk, vocês terão uma pequena e parcial idéia do que são Os Legais. Você pode até não gostar do som da banda, mas após escutar o seu CD não será mais o mesmo boboca. Muito possivelmente será um pouco mais babaca ainda. A seguir uma polêmica entrevista realizada com a banda em questão. Durante as perguntas o clima acabou ficando demasiadamente tenso e em consideração a integridade física de todos nós, preferimos encerar a porra da entrevista e irmos tomar umas cervejas para esquecer das enormes brigas que ficaram para trás.

MACEDUSSS - Vocês são realmente Legais? Qual a relação estética do Palhaço (junky) Bozo nas composições musicais da banda?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Mas é obvio que somos legalizados porra! Essa pergunta me ofende! É só falar 10 segundos com a gente e você não tem outra opção a não ser nos amar intensamente com todas as forças até querer lamber todo nosso corpo com creme de chantili por cima. Somos as pessoas mais amáveis de toda a história da humanidade. Como você leu nossa entrevista na folha de São Paulo com certeza sabe dos sonhos premonitórios que minha mãe teve durante minha gestação acerca das enormes ondas de lixo e isopor vindas do mar em sua direção. Estes sonhos acompanharam ela, e todos os membros e agregados aos Legais, começando no intimo de suas mães e transmitidos após o nascimento. Nossas futuras esposas compartilham o mesmo sonho e é inevitável que as encontremos para perpetuar o nosso sangue e músicas de geração em geração. Repetidas vezes minha mãe disse ter visto em meio ao lixo um ser de nariz fungante e cabelos vermelhos sendo tragado em meio a toneladas de lixo, ele suspirava e dizia coisas sem sentido que de acordo com as profecias se revelarão aos poucos a mim através de meus sonhos. A única coisa que sei é que muitos de nossos fãs compartilham dos mesmos hábitos de consumo e prazer praticados por este enigmático ente colorido.Muitas verdades ainda se revelarão no futuro.Somos todos seres iluminados e nossas canções simplesmente brotam todos os dias de nossas lindas entranhas, como um milagre. É fantástico quanto amor brota dentro de nós todos os dias.

MACEDUSSS – Os shows... Nota-se pelas páginas dos fanzines que nesta última década a banda Os Legais tem construído uma história repleta de apresentações insanas. É nos shows que a banda realmente existe?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Os shows de Os Legais ocorrem de forma totalmente anti periódica, geralmente uma ou duas vezes ao ano. Geralmente não tocamos duas vezes no mesmo lugar e quando o dono do estabelecimento aprova nosso show, o local vai a falencia logo depois não sei porque motivo. Os shows são antes de tudo novas sessões de composição e o momentoem que entramos em comunhão completa e eterna com o público misturando mutuamente nossos corpos suados com lixo macio e gostoso. É o momento onde canalizamos todas as energias da pláteia em prol de um só objetivo: onde lixo, público e música se tornam um só. Somos músicos extremamente profissionais, por isso nunca ensaiamos, já que desde a primeira vez as músicas já saem como a gente quer e sem razão de repetição. Quando tocamos uma música ao vivo, ela sai exatamente como foi composta, o que nos permite tocar musicas de qualquer compositor do planeta. Apenas ouvindo uma vez nossos ouvidos e técnica super apurados já conseguem executar a música exatamente como ela é e se mudamos é sempre para melhor. Por isso quando você vai ver Os Legais ao vivo, pode ter a certeza de que está vendo uma banda 100% profissional. Pelo fato de que nos tornamos uma coisa só, ninguém existe quando está em um show de Os Legais. Nos tornamos superiores aos Deuses e temos o poder de dominar todo o universo. Quando juntarmos três mil pessoas em show, a concentração de poder cósmico será tão grande que finalmente o apocalipse se realizará, cumprindo as profecias e englobando todo o universo na palma de nossas mãos.

MACEDUSSS – Na entrevista/matéria que saiu com vocês no jornal Folha de SP o que me deixou mais intrigado foi os comentários degradantes de alguns entrevistados sobre o DVD “10 anos da banda Os Legais” que vocês estão produzindo. Qual que é deste DVD?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Primeiro eu queria deixar registrado aqui que nossas palavras foram modificadas, editadas e distorcidas na entrevista que demos para o jornal. Tudo o que eu disse foi alterado não sei por que motivo. Este é um DVD comemorativo, se chama Home Vídeo em Decadência e será lançado em 2006, englobando os dez anos de apresentações de Os Legais com depoimentos de fãs, bastidores, brigas internas, imagens de shows, turnês, sessões de composição e ainda muito mais. Estamos filmando desde 1997 e é nosso tributo a nós mesmos e aos fãs com um pouco de tudo que aconteceu nestes dez anos. Ainda inclui apresentações de outras bandas usando a camisa de Os legais como Agnostic Front e What Happens Next?, entre outras, além dos depoimentos de indíviduos de todas as partes do mundo falando o quanto Os Legais mudou a vida deles pra melhor, e pra mostrar que somos extremamente democráticos tem os depoimentos daqueles que não aprovam a banda, segundos antes de serem devidamente espancados e sodomizados por nossos seguranças. É claro que o filme será editado de forma totalmente imparcial e não tentaremos passar a imagem de gênios que realmente somos.

What Happens Next?

MACEDUSSS – No show mitológico de Santo Antonio Da Patrulha – RS, no ano passado (17 de novembro de 2003) qual foi o motivo da briga (de Egos?) entre vocês e a banda MACEDUSSS & Os Desajustados? Eu estava lá lógico. A briga foi com a minha banda... Muitas coisas para mim ainda não estão claras. Gostaria de um pouco mais de explicações.

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Bom primeiro eu queria dizer que não houve briga de egos alguma já que todo mundo sabe que nós somos superiores a todo mundo no mundo e que todos os mortais do universo nos devem obediencia eterna. O problema são essas pessoas estupidas e inferiores que não entendem as leis eternas da vida e vem tentar desafiar nossa autoridade. Tudo começou com um mau entendido no camarim envolvendo nossas opções sexuais e como eu já disse nossa suprema autoridade. Os membros dessa banda aí que você vergonhosamente participa viram coisas que não deveriam ter visto, interpretaram mal e ainda por cima se recusaram a obedecer nossas ordens. Todos aqueles que se recusam a fazer o que a gente manda são punidos de forma severa, repugnante e prazeirosa, como realmente aconteceu naquela noite. Não gosto de lembrar daqueles momentos apesar dos shows terem sido ótimos! Mas avaliando agora que já um tempo que isso ocorreu acho que eles devem ter entendido tudo e agora se colocam em seus devidos lugares, como todo mundo.

MACEDUSSS– Sobre o festival “10 anos sem G.G. Allin”, não teria como não perguntar. Qual o papel deste senhor para a formação do caráter dos integrantes da banda?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Como você já sabe, logo após a morte ganhamos o poder de viajar para o futuro, passado e presente. Logo após a minha morte que ainda não aconteceu, eu viajei para o passado e entrei nos sonhos da mãe de GG Allin quando estava em seu período de gestação e lhe disse tudo que ele deveria fazer para salvar o futuro e a dignidade do rock. Sendo eu o responsável pelas raízes de plantio do cárater moral de Allin. Após sua morte ele me retribui o favor indo aos sonhos de minha mãe e fazendo o mesmo. Um dos principais motivos que nos levou a montar este evento em 2003 foi a sensação de tudo aquilo que ele lutou em sua carreira estava se perdendo dando lugar ao cada vez mais crescente moralismo enrustido dos punks de boutique. Se ele estivesse vivo em 2004 provavelmente já teria dado um tiro na cabeça ou matado todo mundo vendo os desfiles de moda e palanque de discurso hipócrita em que se transformaram os shows de hardcore, com mentes cada vez mais presas e com exagerada tendência à chatice e panfletagem moralista te dizendo o que fazer. Aproveitamos a data para celebrar o Kanibaru Sinema e transmitir filmes transgressores de vários lugares do mundo que carregam o espírito de alegria e amor transmitidos em tudo que GG Allin fez, além da palestra de Petter Baiestorf e vários eventos e shows paralelos que rolaram durante o evento. Foi muito bom, mas um ano depois o que parece é que o evento surtiu efeito contrário com as patrulhas ideológicas enrustidas de punks agindo com mais força e moralismo carola do que nunca....

MACEDUSSS – Agora uma pergunta normal! Qual a formação da banda?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Os Legais é multi-facetado e subdividido acima de tudo de acordo com as vontades e desejos do supremo e incontestável Triunvirato Supremo de Os Legais. Que é composto por mim, representando a parte de majestade, magnitude, racionalidade e beleza. Iuguru Magnor, que é nosso mentor espiritual e quem mantém o equilíbrio no grupo. Por fim, Marcius, que é nosso núcleo de dança esportiva e de amor delicioso e pulsante. Além do triunvirato temos mais de trinta músicos contratados e espalhados por todas as partes do mundo sempre à nossa disposição. Para compor utilizamos um sistema de rodízio constante onde tocamos com máxima perfeição todos os instrumentos que estiverem à disposição. A composição básica de instrumentos para um dia de gravação normal é um baixo, microfone acoplado no aparelho gravador, duas guitarras e nossa amada bateria de caixas de papelão, latas e carrinho de mão. Bateria de verdade só temos chance de usar ao tocar ao vivo ou em estúdio. Além do Triunvirato, estamos com uma formação de músicos fixos que foi a que nos acompanhou em nossa ultima seção de estúdio: Marcucceli Caldato, mestre de acordeon e nosso pianista oficial com sete anos de formação clássica.

Alejandro Gutierrez, Marcelo Fusco, Iuguru Magnor & Hans Konesky nos Dez Anos Sem GG Allin em 2003.

Alejandro Gutierrez, que já tocou na banda de 1998 a 1999 e que retornou em 2003. Hans Konesky: escritor, compositor e multi-instrumentista especialista. Nietzche Starling, que além de baterista é também o produtor e ator de meu filme “Gotículas da Criação”. J. W. Kielwagen que faz participações ocasionais em nossas gravações e escreveu junto comigo o roteiro do filme “Mamilos em Chamas”, filme que agora ele homenageia no segundo disco do projeto Spindove: “Uma só carne”. Amauri Penteado, responsável pela bateria eletrônica e também multi-instrumentista. Na verdade, é inútil eu usar essa expressão porque todas as pessoas com que escolhemos tocar são capazes de tocar qualquer instrumento em qualquer situação. Eu posso sentir se tal pessoa é o escolhido só de sentir seu cheiro ou olhando em seus olhos, é muito simples saber quem tem responsabilidade suficiente para tocar em Os Legais, está escrito nas estrelas. Mesmo se você nunca ouviu falar da gente, se passarmos por sua cidade e você for um dos escolhidos, pode certeza que em menos de 24 horas estará tocando e espremendo canções de seus instrumentos como nunca fez antes, ao nosso lado. É inevitável e previsto em período fetal. Gravamos cerca de 50 musicas em nossa ultima reunião, sendo que sete delas tiveram supervisão e a colaboração do Burt Bacharah, que com a ajuda de Magnor voltou dos mortos especialmente para gravar ao nosso lado.

MACEDUSSS - Qual o material que vocês já tem lançado?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Nossa primeiro K7 foi lançado em 1997, é auto-intitulado e tem 28 músicas. Tenho um arquivo sempre crescente de cerca de 40 horas com gravações de Os Legais e toda vez que queremos lançar algo retorno a esse arquivo, escuto tudo minuciosamente e seleciono o que meu coração manda. Não é raro encontrar em nossos discos gravações de 1997, 99 , 2001, de qualquer ano possível de nossa existência, por isso dá pra dizer que essa fita é nosso trabalho mais puro já q tem apenas músicas de 96(incluindo duas músicas de nosso primeiro show) e 97,praticamente todas são gravadas em 97. Ouvindo essas músicas temos uma radiografia do que se passava em nosso intimo naquele ano, de forma mais exata. Em nossos outros lançamentos existe um conjunto mais amplo de nossas composições ao longo dos anos. Entre 97 e 2000, lançamos dezenas de fitas personalizadas e algumas edições especiais da primeira fita. Pra quem não sabe, Os Legais é a única banda que trabalha com o sistema de Produtos Personalizados: é a única banda onde você ter em casa produtos e músicas feitas especialmente feitos pra você, com o seu nome. Foi o período onde mais fizemos k7s personalizados, quase toda semana. Chegamos a fazer musicas de 20 minutos de duração em homenagem a fãs, alguns até choraram de emoção ao receber as fitas. As camisetas seguem o mesmo esquema e são pintadas por nossas próprias mãos! Por apenas 15 reais você pode ter uma musica com seu nome, feita especialmente para você com encarte especial e canções bônus. Dá inclusive pra escolher o tema da música feita pra você. A camisa pode girar em torno de qualquer tema escolhido e custa 20 reais, se o fã quiser também mandamos fotos da camisa e das musicas sendo gravadas... Músicas e camisetas personalizadas são nossa especialidade, mas pagando fazemos qualquer serviço que prove nosso talento supremo e interminável. Somos capazes de até mesmo limpar a sujeira que fazemos nos bares durante nossos shows, mediante pagamento justo, é obvio...

Mas então...Voltando aos nossos lançamentos: depois dessa safra de fitas personalizadas e shows ocasionais, lançamos em abril de 2000 o K7 “Bulhorgia 2000” com 18 musicas e gravações de 96 à 99. É mais complexo que a primeira, o que fez os fãs radicais acusarem a gente de ter se vendido e de fazer músicas comerciais, o que realmente é verdade já que Bulhorgia foi sucesso total no país inteiro com mais de mil e oitocentas fitas distribuídas e vendidas via correio e de mão em mão. O que ocasionou na turnê de 2001, onde fizemos shows em Campinas, Rio de Janeiro, Florianópolis, Guraramirim, num total de 7 shows! Nunca fizemos tanto show na vida! Shows cancelados em 2001 foram muitos: 8. Nunca cancelados por nós... Em 2002, decidimos parar de nos dedicar exclusivamente a Os Legais, não fizemos nenhum show e passamos a dar maior atenção a nossos projetos cinematográficos, gravando a trilha e filmando o longa metragem musical épico de Os legais: “Marcius”, que ainda não lançamos. Paralelo a isso, gravamos mais uma porrada de material tanto musical quanto filmado, que ainda não lançamos.
Em 2002 que nasce o Tzodoma Popo, meu projeto ao lado dos irmãos Bertolowski, de música afrodisíaca para crianças. Foi também em 2002 que decidimos que só faríamos musicas e filmes para agradar nós mesmos e mais ninguém, a gente grava e filma e fica ouvindo ou vendo em casa, quantas vezes quiser, várias vezes ao dia sem ninguém por perto, é muito melhor assim. O que significa que cada coisa nova que fizermos o publico só vai poder ouvir uns três ou quatro anos depois, quando a gente já tiver enjoado de ouvir e estiver achando uma merda e nem agüentar mais ver na frente. Esse é o momento que as outras pessoas vão ter permissão de ter acesso a nosso material, por isso que ainda não lançamos o Marcius, ainda gosto de assisti-lo... Em 2003, gravamos apenas uma música, fizemos dois shows, filmei o “Mamilos em Chamas” e fizemos a semana de Dez anos sem GG Allin, entre outras coisas...

 

MACEDUSSS - E o que é para sair dentro em breve? Aproveitem e vendam o peixe legal de vocês.

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Pra quem não agüenta de expectativa pra assistir nossas tranqueiras pode acessar http://spindove.tw.st e adquirir o disco novo do Spindove, que é inteiramente baseado no longa “Mamilos em Chamas”, com vocais meus e de Iuguru Magnor. Já o novo lançamento de Os Legais se chama Froto Ivo e é um CD duplo com 32 caminhos de sabedoria, 16 em cada CD. Sempre me preocupo em selecionar uma média de 30, 35 minutos para cada lançamento, Froto Ivo tem 70 minutos de canções inéditas, com musicas de seis minutos e outras de 20 segundos. Participação de Wandon Bellou, que é um pianista autodidata de Schroeder/SC, alguns trechos da música dele no disco podem ser ouvidos no meu curta “Nosferatum”, que foi lançado ano passado e mais um monte de surpresas pra deliciar os fãs ávidos por músicas novas de Os Legais. Fomos a fundo nas nossas raízes, com gravações englobando todas as formações da banda e com registros que vão desde 1993 até os dias de hoje. Ainda não enjoei de ouvir o disco e folhear o encarte, por isso só sai em 2005... O disco de estréia do Tzodoma Popo já está pronto e deve sair em breve. Provavelmente nossos primeiros k7s serão relançados em CD com material inédito, mas isso é mais pra frente... Vai demorar, porque pretendo dar uma boa ouvida em casa antes... É claro que você escrever pra gente e adquirir ainda o CD-r com nossos dois primeiros k7s e mais uns bônus horrendos junto...e mais um monte de coisa que temos pra oferecer... Mas mudando um pouco de assunto: tu tinha prometido na ultima vez que nos falamos que você praticaria cunete grupal em todos os membros da banda espalhados pelo mundo e que compraria 25 CDs do Froto Ivo pra revender aí na região, tua promessa continua de pé?

Capa de Froto Ivo

MACEDUSSS – Sim claro! E sobre as vestimentas do grupo... monstros de papelão? Que loucura insana é essa? Estética ultra-men-sevem-papelão?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - As vestimentas são nossas armaduras de proteção corporal contra a platéia insana e retardada que se mistura aos nossos corpos Setembro de 2003 em Joinville.durante os shows. Tocar ao vivo é como entrar no campo de batalha e precisamos estar devidamente preparados para guerra, nossas armaduras de combate é que nos dão força para continuar a oferecer boa musica para a platéia obcecada e debilitada. O ideal é que toda platéia se prepare para o combate já antes de sair de casa com suas devidas armaduras de lixo que pode ser tanto orgânico quanto químico, não temos preconceito. Recomendo fazer uma pesquisa de campo antes do show, porque se o show for na beira de um rio ou lago, por exemplo, o público pode se programar e trazer isopor como instrumento de batalha principal e durante o show jogar tudo na água pra servir de decoração, sempre achei que faltam icebergs artificiais nos rios e lagos deste país. Ou se o show for num encontro vegetariano, o ideal é a platéia vir enrolada em bifes(crus ou mal passados, de preferência carne bovina, de porco ou de algum animal em extinção) com ombreiras de couve flor ou repolho. Acho que quem conseguir repolho roxo para as ombreiras brilhará como uma rainha em noite de gala. Agora em ocasiões sem diferencial muito evidente no ambiente, se você apenas deixar o zíper da calça aberto e distraídamente, largar apenas um testículo pra fora da calça como quem não quer nada, daí nem precisa de armadura. Pesquisa de campo e planejamento nos dias de hoje é tudo. Como eu sempre digo, não há nada melhor do que enrolar lixo cheiroso em volta de todo o corpo, rolar no chão e ser espancado docemente por estranhos em público, todo mundo envolvido mais do que profundamente em lixo e para completar tudo isso, tendo o prazer de ouvir e executar boa música.

Dez anos Sem GG Allin.

MACEDUSSS – Está melhor que bom isso aqui! Aquela clássica última pergunta eu faço aqui. Espaço aberto! E por fim, como está o transito em Florianópolis?

DOM ADOLFUNHO GURCIUS GEWDNER - Convide Os Legais para tocar em sua cidade, pagando a passagem tocamos em qualquer buraco, sob quaisquer circunstancia, em qualquer ocasião, nossos poros brotam amor musical coisa mais linda. Entre em contato com a gente pra adquirir material, dizer o quanto ama Os Legais e tudo que mudamos na tua vida. O endereço pra contato é esse aí em baixo, é uma emoção sem fim que não acaba mais. Escrevam que a gente responde todo mundo. Assistam filmes e escutem musica sem nunca se preocupar com rótulos e muito menos com a opinião alheia. Quanto mais contraditório for uma coisa em relação à outra, melhor! Apóiem os realizadores independentes, aqueles que realizam suas obras com a força do intimo de suas entranhas, com coração, olhos e ouvidos sempre livres. E acima de tudo, amado leitor, tente evitar o mal do século: a tendência inevitável à chatice crônica e marasmo insuportável. É o câncer do underground que se manifesta nas mais variadas formas e tamanhos. Já o trânsito daqui continua uma merda como sempre....

Ao vivo no Curupira Rock Clube em 1998.

Entrevista realizada por Dannius Macedusss.
Originalmente publicada no fanzine Derrotadosss n° 10.

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