
O
grupo catarinense Os Legais está entre os nomes mais bizarros,
cultuados e odiados no underground nacional e talvez até
mundial. Por onde passam espalham um rastro de sarcasmo, experimentalismo
e sujeira em uma massa sonora de demência poucas vezes antes
vista ou ouvida. Chamam a si mesmos de O Triunvirato Supremo e
querem dominar o mundo. A gama de atividades dissonantes perpetuada
pelo perturbado grupo de doentes é incontável e
tem como centro pensante a figura hedionda de Gurcius Gewdner,
que ao lado de seus companheiros se desdobra em uma série
de atividades que vão desde a produção de
filmes, discos afrodisíacos, monarco-dance e todo tipo
de fruto, que realmente não teria como brotar de outro
lugar. Durante o verão, tive a sorte (ou infelicidade)
de cruzar com Gurcius e um de seus braços direitos (sim,
Gurcius tem muitos braços...): Iuguru Magnor (uma das figuras
mais representativas de Os Legais). Os dois, que representam dois
terços do Triunvirato Supremo, falaram sobre seus inúmeros
projetos em andamento. E o resultado é a entrevista em
dois tempos que você vai ler abaixo...
1)
Apresente-se pra quem ainda não te conhece. E aproveite
pra dizer: se você é Deus, quem é o Diabo?
Meu
nome é Gurcius Adolfunho Gewdner e reproduzo o fruto de
minhas entranhas na forma de obras primas musicais e cinematográficas
desde o fatídico ano de 1996, quando começamos a
gravar pérolas de amor com o conjunto musical OS LEGAIS.
Nos anos anteriores a 1996, passei por um período de isolamento
e meditação para me preparar para uma missão
de que já tinha consciência desde a minha fase de
feto, através de sonhos premonitórios. No ano de
2000, iniciamos as atividades com a Bulhorgia Produções
lançando o documentário Poluição dos
Mares & Oceanos, que trata do difícil cotidiano enfrentado
por cachorros Pinchers e galinhas no comércio de frutos
marinhos em praias poluídas. Fizemos o filme por necessidades
fisiológicas e humanismo insaciável, não
teve como evitar. Forças maiores do que nós tomaram
conta de minha alma desde então. Já fazem anos que
seguimos em nossa jornada para espalhar lixo, boa música
e cultura de amor pulsante pro mundo inteiro coisa linda.Também
participo das composições e faço vocal nas
bandas Tzodoma Popo e Súditos do Amor, que é um
projeto de Monarco Dance que pretende trazer o perigo do Rock
e a vivacidade da monarquia de volta através do dance.
Além de participar em projetos de amigos como o projeto
experimental Spindove ou o filme Cerveja Atômica do Petter
Baiestorf.
O diabo é uma força muito menos concreta do que
eu e por isso mesmo mais perigosa. É a força que
te impede de se fazer o que você quer por medo da opinião
alheia. Que nos impede de enxergar amor brotante em todas as coisas
vivas e mortas apodrecendo. É o falso moralismo enrustido
e a vontade de censurar os outros. A vontade de censurar escondida
atrás de discursos polidos e boas intenções
hipócritas. A falta de vontade própria e a inveja
destrutiva. As repugnantes patrulhas ideológicas com sua
falácia nazi-cristã de salvamento do mundo, tudo
mentira, tudo fase, grande parte hipocrisia. O que eles querem
é pisar na cabeça de quem é diferente, com
um discurso retumbante por cima pra fazer uma social. O demônio
são os rótulos e as assim chamadas “cenas”,
só servem pra separar e fechar a cabeça de quem
cai nessa palhaçada. Fazemos e escutamos tudo. O único
limite é a morte. Não fazemos parte de nenhuma cena
e ao mesmo tempo participamos de todas.

2)
O que você tem que os estudantes de cinema não têm?
Um
bigode sensual. Esse é o segredo de uma carreira cinematográfica
de sucesso. Veja os exemplos de Adolf Hitler, Charles Bronson,
John Waters ou Wilson Grey: se tornaram lendas do cinema mundial,
e por quê? A magnitude de seus fantásticos bigodes.
Meu filme preferido de Adolf Hitler é o clássico
“Tempos Modernos”, acho melhor do que “O Grande
Ditador. Ele conseguiu retratar de forma deliciosa a situação
dos operários, nada disso seria possível sem o apoio
universal de seu bigode. Ele só passou a querer dominar
o mundo quando parou de valorizar o próprio bigode para
valorizar os pêlos alheios, largando a carreira de cineasta,
infelizmente. O
mesmo
impulso de criação, ocasionado pela influência
sobrenatural do bigode, que fez o Nietzsche produzir filmes experimentais
com marionetes em stop-motion em paralelo aos seus livros( sendo
alguns destes curtas, adaptações de livros seus),
que infelizmente foram irresponsavelmente destruídos pela
irmã dele, é uma pena. Os estudantes de cinema precisam
trocar seus óculos de aro preto por bigodes enigmáticos
e grandes quantidades de pêlos em locais sensualmente estratégicos,
só assim atingirão a perfeita plenitude espiritual.
Os personagens bíblicos mais interessantes são aqueles
que usam bigode ou são peludos. É por isso que Deus
mandou um anjo engravidar Maria ao invés de deixar José
fazer o serviço, ele não era peludo o suficiente.
È claro que mais tarde tudo isso se provaria inútil,
já que Jesus Cristo raspava os próprios pêlos.
E é por isso que foi crucificado: falta de pêlos.
Motivo contrário que faz o Tony Ramos ter uma carreira
sólida a mais de vinte anos: abundância de pêlos.
O segredo do sucesso é a quantidade de pêlos que
você tem no corpo. As escolas de cinema não fazem
crescer pêlos e muito menos vão ensinar alguém
a filmar, escrever ou criar qualquer coisa. Isso só quem
pode é você mesmo. No máximo vão te
ceder material para produzir (o que é ótimo) ou
te ensinar a estabelecer limites em sua obra para o consumo do
público, o que não me interessa. Não sou
o único que bate nesta tecla, mas não acho as escolas
de cinema necessárias, não é a peça
chave para quem quer filmar. Acho muito mais interessante você
descobrir quem te agrada e adquirir conhecimento direto da fonte,
correr atrás daqueles que você aprecia e se tornar
parceiro. É claro que tudo depende do cara não ser
um imbecil esnobe. Quanto aos mestres, não acredito na
ajuda de professores, professor é sinônimo de enganação.
3)
É verdade que quando você apresentou o filme Nosferatum
a estudantes de psicologia eles se interessaram bastante?
Como
você deve saber, no inicio dos anos noventa, o Brasil enfrentou
uma crise muito violenta de tráfico de armas no sistema
psiquiátrico. A profissão estava em baixa e quem
quisesse se manter era praticamente obrigado a comercializar armas
no consultório para sobreviver. Muitos não agüentaram
a pressão e acabaram com problemas mais graves do que os
próprios pacientes. Com o plano Collor, a produção
cinematográfica no Brasil foi reduzida a zero e este episódio
de nossa história acabou se perdendo nos anais do tempo.
Acho que foi isso que tanto emocionou os estudantes, ver este
episódio tão dramático de sua profissão
finalmente retratado nas telas. Acho que Nosferatum é o
primeiro filme a tratar do tema. Wandon Bellou, que compôs
a trilha sonora (e faz algumas participações em
musicas de Os Legais que serão futuramente lançadas),
viu o drama acontecer no seio de sua família. Também
existe uma estatística forte de apreciadores do cachorro
Pincher no ramo psiquiátrico, o que ajudou a alimentar
a identificação do público.
4)
O que você diria pra quem ainda não foi num show
dos Legais?
Meu
sonho é chegar a um ponto em que o próprio público
passe a trazer seu lixo de casa e arranjar um patrocinador para
transformar o locar dos shows em enormes piscinas de bolinhas
coloridas para o público. Gostaria que cada um trouxesse
seu lixo e viesse vestido a caráter com jornal, papelão
ou qualquer coisa enrolados no corpo e a roupa intima enfiada
no rabo. Então se você ainda não foi em um
show dos Legais, enfie a cueca bem dentro do rabo, passe fita
crepe e lixo em todo seu corpo e se prepare para se transformar
em uma só carne com banda, lixo, público e ambiente.
Tudo isso com direito a delicioso isopor para mastigar e passar
no corpo acompanhado de boa música de qualidade. E quem
nunca organizou um show dos Legais, o que está esperando?
È só marcar com antecedência e pagar nossas
passagens que a gente vai, só não nos faça
carregar lixo e isopor por milhares de quilômetros e não
poder na hora, porque de um jeito ou de outro o sagrado isopor
será usado. Se não for atirado no local do show
será na casa do organizador irresponsável, como
já me vi obrigado a fazer.

5)
Fale sobre o projeto Tzodoma Popo, de música afrodisíaca
para crianças. Você acha que ele deveria ser inserido
na grade curricular dos jardins de infância? Explique o
projeto.
O
Tzodoma Popo é meu projeto ao lado dos irmãos Bertolowsky
e tenho muito orgulho dele. È totalmente diferente de Os
Legais, mais musical e sensual, apesar de muitas pessoas afirmarem
que chega a ser mais indigesto. Estávamos escutando um
antigo disco do Serge Gainsburg ao lado da Jane Birkin e pensando
o quanto aquelas músicas foram importantes para as gerações
anteriores. Quantos de nós foram concebidos ao som daquelas
canções tão lindas e excitantes. Foi então
que uma sensação de indescritível vazio tomou
conta de nossos corações, quando percebemos: o que
será de nossos filhos sem um referencial como esse? Como
faremos netos? Como nossas crianças descobrirão
o romantismo e sensualidade pura em seus corações?
Começamos a fazer uns testes com a minha voz e que instrumentos
deveríamos utilizar para induzir as melhores sensações
no ouvinte. Um ano depois o disco estava pronto. Então
basicamente é um disco para nossos futuros filhos. Para
as gerações futuras. Para aquecer os corações
de crianças e pessoas de coração infantil
nas noites de solidão. Florescer o amor onde até
então só existe vazio. Acho que não deveria
ser introduzido na grade curricular pelo simples fato de que as
crianças precisam aprender gradualmente que escola é
uma merda, não dá pra entregar o ouro assim. O disco
deve ser lançado no fim de maio, se ninguém desistir
de lançar ou nada nos atrasar, junto com nosso Split CD
de Os Legais com Willie Kampff. Ambos os discos já podem
ser baixados no emule, mas tenho certeza que todo mundo vai querer
sua cópia depois de ver os encartes lindos que preparamos.
6)
Você acha que sua obra (música, cinema etc) é
importante para a formação musical, moral, ética
e política das crianças?
Acho
que qualquer forma de arte feita com o coração e
as entranhas é importante para o alimento da alma. Especialmente
se é você que a produz. Moral, ética e outros
adjetivos são palavras que apaguei do meu vocabulário
faz tempo, ninguém precisa disso. Deixo esse lixo para
as patrulhas ideológicas e invejosos sem criatividade.
Temos nossa própria política interna: seguir o coração
sem nunca se importar com a opinião alheia, fazer o que
nos dá vontade. Não devo nada pra ninguém,
nem a mim mesmo. Formação musical é outra
coisa inexistente, cada um escuta o que quer. Quanto a tocar um
instrumento, nem dedos é preciso. Escolas de música
não passam de mentira, coisa de gente reprimida.
7)
Os apreciadores dos Legais têm mais propensão ao
amor?
Sim,
para você fazer amor com qualquer membro da banda é
necessário que no mínimo você conheça
alguns de nossos grandes clássicos. Não tiramos
a roupa por qualquer bagatela barata não, é necessário
que se conheça nosso íntimo intelectual primeiro.
E acho que propensão não é a palavra certa:
Pulsação Latejante ao amor é mais adequado.
O fato de a pessoa apreciar Os Legais torna suas chances de desfrutar
dos infindáveis prazeres da carne e alma proporcionados
por quem já tocou na banda, muito maiores do que o normal.
Somos a chave para a salvação, nas portas do paraíso
e inferno.
8)
Como seriam as produções dos Legais e de você,
como cineasta, na época da ditadura?
Com
certeza entraríamos na onda deles e faríamos filmes
e músicas homo-eróticas engrandecendo as partes
mais desconhecidas e interessantes do corpo masculino, para agradar
os militares. E nos shows que faríamos para os estudantes
engajados ao invés de isopor, jogaríamos água
e aplicaríamos choque elétrico neles depois. E para
quem tivesse o prazer de entrar em nosso camarim, aplicaríamos
choque elétrico no saco deles e enfiaríamos agulhas
embaixo de suas unhas, além de deixar nossos amigos militares
abusarem sexualmente deles, seguido de tortura e auto-flagelação.
Com isso, hoje estaríamos regravando nossos antigos sucessos
ao lado da Jane Birkin, milionários, velhos, decrépitos,
decadentes e insuportáveis, que nem o Caetano Veloso. Seria
ótimo. Hoje em dia não temos a ditadura declarada,
mas temos grupos ideológicos adolescentes disfarçados
com rótulos patéticos censurando e enchendo o saco,
que na verdade são meras variações de religião
com nomes pomposamente radicais para melhor status social, mas
que na maioria das vezes não passam da encheção
de saco também, que bom. Além da supremacia da tal
lei de incentivo a cultura que te obriga a ficar meses planejando
qual a melhor forma de lamber o saco governamental e engrupir
uma grana de forma legalizada sem ofender ninguém. O ideal
para quem quer produzir o próprio fruto das entranhas e
não quer “adaptar” a própria obra ou
depender da aprovação dos bons costumes do governo,
é conseguir investidores particulares que entendam suas
idéias e concordem com elas. O que não é
fácil mas também não é o fim do mundo.
Prova disso são os filmes produzidos na Boca do Lixo, que
muitas vezes eram feitos com a grana do açougueiro, do
barbeiro, do dono de boteco...

9) Vocês já pensaram em fazer um show num lixão,
como o Ilha das Flores, em Porto Alegre?
Há
muitos anos que planejamos fazer nosso disco e vídeo ao
vivo intitulado “Os Legais Ao Vivo no Barranco”, que
seria nos moldes daquele ao vivo do Pink Floyd em Pompéia,
com clássicos interpretados a perfeição em
meio aos urubus e escrementos do lixão de Joinville. A
primeira idéia seria filmar em um barranco que tem perto
da minha casa, que lembra bastante aquele deserto em Pompéia,
mas ao visitar o lixão de Joinville, mudamos de idéia
e resolvemos que seria mais interessante fazer o show para os
urubus do lixão mesmo, que são aves que tem um senso
bastante apurado para o que é boa música de verdade.
Eles não são exibidos que nem os malditos periquitos,
cantando e assobiando suas musicas horrorosas por tudo que é
lugar que suas gaiolas vão. Fora o fato do urubu ser uma
criatura espiritualmente superior também. Ainda não
o fizemos por falta de tempo e de um investidor que nos dê
apoio para instalar a aparelhagem necessária para a apresentação
e gravação.

10)
Os garis e os lixeiros manipulam lixo todo dia. Já os Legais
mergulham no lixo em seus shows. Quem entende mais de lixo, os
garis/lixeiros ou Os Legais?
Com certeza
os garis. O lixo é rotina e trabalho para grande parte
deles. Para Os Legais, o lixo é paixão e obsessão
apenas. Nossos shows ocorrem muito raramente, uma ou duas vezes
ao ano. O que faz nosso contato com o lixo longe de ser uma rotina.
E o lixo orgânico não é maioria em nosso material.
Durante um período de 4 anos me tornei mimado pelo apoio
das fábricas de isopor que nos cediam material, sendo que
se havia algum lixo orgânico no meio do show era trazido
pela platéia. O que agradeço. Antes disso e agora
novamente estou tendo que conseguir o isopor nas ruas, o que faz
a presença do lixo orgânico uma realidade novamente.
E durante o show, a platéia tem um contato muito mais íntimo
com o lixo do que a gente, já que a nossa preocupação
principal é tocar musica de qualidade para o publico sedento,
apenas carregamos os malditos pacotes até lá.
11)
Vocês já fizeram alguma homenagem aos garis/lixeiros?
Toda apresentação
de Os Legais é uma homenagem aos garis e lixeiros. Com
a gente por perto eles podem ter a certeza absoluta de que o trabalho
deles será sempre bem quisto e valorizado pela nossa tão
querida sociedade.

12)
Fale sobre o "Triunvirato", seu último filme.
O
Triunvirato mostra o processo de composição de Os
legais e os bastidores de filmagem de meus filmes ainda não
lançados. Que neste caso são três: Marcius
– O Filme, Gotículas da Criação &
Mamilos em Chamas. Que são bem distintos entre si, já
que flertam com gêneros diferentes. Basicamente, o filme
trata do tema mais interessante e vasto de sabedoria na face da
terra: EU. Fizemos por exigência do publico que não
agüentava mais esperar pelos filmes que tenho para editar.
E ao assistir o filme, você pode entender o porquê
de tanta demora em lançar meus novos filmes. O que não
é consolo pra ninguém, como têm demonstrado
as seções públicas do filme, movidas a muita
choradeira e desespero. Tudo que fazemos é para nós
mesmos, não posso e nem quero evitar. E sempre posso assistir
e ouvir em casa o que os outros ainda não podem. Mas na
verdade, O Triunvirato não é meu ultimo filme. Acabo
de terminar um novo clássico, que se chama Dia de Ano.
O filme mostra toda a paz e amor que existe contida dentro do
coração de cada ser humano, provando de uma vez
por todas que ainda existe esperança para a humanidade.
Trata-se de um monólogo espiritual de nosso grande compositor
e mentor religioso: Iuguru Magnor. O filme é um tributo
ao Tim Maia e dá a chance ao publico de aproveitar toda
a iluminação e sabedoria que Iuguru Magnor tem nos
transmitido ao longo destes anos de tanta dor e sofrimento, tornando
nosso ardor muito mais tranqüilo e quase celestial. Você
vai sentir na pele o que é passar a virada do ano com uma
entidade querida por todos os portadores de sensatez que ainda
existem neste planeta, ouvir novas canções de Os
Legais e ainda por cima conhecer a intimidade de nosso melhor
letrista e guia espiritual. O ser que corrompeu a inocência
de Os Legais e redirecionou nossos caminhos filosóficos
e musicais. A peça chave do triunvirato supremo de Os Legais.
13)
O que você anda ouvindo de música? E quais filmes
você tem visto?
Splatter-gore,
pop, musica infantil, tudo que me faz feliz: Melt-banana, Nuclear
Assault, Smes, Tim Maia, Nasum, The Tornados, Beatles, The Ex,
PexbaA,Burt Bacharah, Ajudanti di Papai Noel, Serge Gainsburg,
7 Seconds, Jane Birkin, Motossierra, é mais ou menos isso
que tem feito minha trilha sonora nos últimos dias! Em
poucos dias deve estar chegando aqui um lindo split vinil de Lymphatic
Phlegm com o Last Days of Humanity, que com certeza me fará
muito satisfeito também! Tenho visto filmes do Takashi
Miike(Gozu, Izo, Audition, Ichi The killer, etc...) e Koji Wakamatsu(Esctasy
of the angels, Embrione) que são fantásticos, esses
caras produzem uma quantidade de filmes proporcional ao que o
Agathocles lança de ep’s por ano! A média
do Miike é de 4 a 7 longas por ano, Wakamatsu no auge de
sua produção chegava a lançar dez filmes
em um ano! E são todos fantásticos!!! Miike tem
uma regra interna de nunca lançar um filme semelhante ao
filme anterior, tem que ser o oposto! O que faz seus trabalhos
serem sempre imprevisíveis e perfeitos. Ele possui mais
de 50 filmes, incluindo um filme com diálogos em português
(city of the lost souls) e não tem nenhum filme lançado
no Brasil.
Miike
e centenas de cineastas geniais como Russ Meyer (Mondo Toples),
Kinji Fukasaku (Samurai Reencarnation), Karim Hussaim (Subcouncious
Cruelty), Koji Wakamatsu (Yuke yuke nidome no shojo), Jorg Buttgereit(Nekromantik),
Chan Wook Park(Oldboy), Jack Smith(Flaming Creatures), Alexandro
Jodorowsky(The Holy Mountain), Ryuhei Kitamura(Versus), Sogo Ishii(Angel
Dust), Jan Swankmajer (Conspirators of Pleasure, alguns de seus
clássicos nem precisam de legenda) e outros que nunca serão
lançados por aqui. E até mesmo filmes imperdíveis
de realizadores sem igual que tem alguns filmes lançados
por aqui como Emir Kusturica (Black cat, White cat), John Waters
(Pink Flamingos), Takeshi Kitano(Violent Cop), Lloyd Kauffman(Terror
Firmer), Dusan Makavejev(W.R.- Misteries of the Body), Mario Bava(Rabid
dogs)e muitos outros dificilmente serão lançados
por aqui pelo simples fato de nosso mercado de vídeo, locadora
e cinema ser totalmente monopolizado, com milhares de enlatados
comerciais insuportáveis invadindo as locadoras e os cinemas
de shopping todo mês. E os babacas ainda jogam um dinheirão
fora lutando contra a pirataria, de que outra forma seria possível
assistir filmes perfeitos como Femmale Trouble, El Topo ou Battle
Royale se não fosse desse jeito???? Uma bela duma bosta,
mas com as trocas via correio com outros colecionadores viciados
e com a Internet e seus vários programas de download, se
tornou mais fácil para se conseguir essas belezuras, ignorar
os enlatados e ao menos desfrutar de um poder de escolha maior.
Tem mais coisa que venho vendo e ouvindo, mas acho que só
com isso já dá uma lista boa.
14)
Quais seus próximos lançamentos e idéias?
E como os interessados podem fazer para conhecer mais ou para
comprar filmes/discos de vocês?
Agora no final
de 2004 tentamos nos reunir para gravar um disco religioso e de
meditação com Iuguru, mas o que acabou saindo foi
o Dia de Ano. O disco do Tzodoma Popo e um split-cd de Os Legais
com Willie Kampff do Canadá, estão pra sair. Os
filmes que você pode conferir alguns trechos de making off
em O Triunvirato, eu devo editar e lançar assim que me
der na telha. Em breve, estaremos com o site da Bulhorgia Produções
no ar: lá você poderá encontrar todo nosso
catálogo a venda, colunas, resenhas e materiais de parceiros
sendo distribuídos também. Tem mais uma porrada
de novidades pela frente, mas vamos lançando uma de cada
vez, com calma.Quem quiser entrar em contato é só
escrever para:
Bulhorgia Produções/Os Legais
A/C Dom Gurcius Adolfunho Gewdner
Caixa Postal 230 88010-970
Florianópolis/SC
www.bulhorgia.com.br bulhorgia@hotmail.com
Muito
obrigado pelo espaço! A gente ama todo mundo!!!

Entrevista em duas partes realizada por
Juliano Pfutzenreuter Nunes.
Leia
a segunda parte da entrevista aqui:
Iuguru:
Guru de todos os seres.
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