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O
mistério acabou no dia 19 de abril de 2005.
Com chamadas interrompendo a programação
de vários canais de televisão a imagem
da fumaça branca tomando forma da chaminé
da Capela Sistina anunciava a escolha de um novo Papa.
Seria a vez da América Latina agora? O novo
líder conseguiria manter a égide de
João Paulo II? Qualquer um menos o Cardeal
Ratzinger.
Quarenta minutos depois uma figura avança na
sacada, antecipado pela frase que ficou célebre,
habemos chester, quero dizer, habemos papa. Engraçado,
com tanta especulação sobre o sucessor
nenhuma figura conseguia tomar a imagem além
do próprio papa recém falecido, a não
ser do polêmico religioso alemão no qual
a mídia liberal já havia defenestrado
e promovido indiretamente sem querer.
Um misto de surpresa, frustração e tranqüilidade
sacudiram os presentes e telespectadores à
exibição de um cardeal agora papa, Joseph
Ratzinger, ou Bento XVI. Surpresa pela comprovação
de um papa já dado como fora da competição,
frustração porque ele representa uma
continuidade da política de João Paulo
II e tranqüilidade por ser uma pessoa cujo histórico
e meio de ação já é conhecido,
além da própria feição
já ser popularizada embora negativamente.

O que vocês queriam?
A igreja católica é uma instituição
milenar, precede muitas nações e tem
um alcance invejável às piores ditaduras
e às melhores democracias. Mais do que uma
super estrutura representa uma idéia, um ideologia,
um ideal. O catolicismo é simples e puro em
sua base, goza de uma coerência ímpar
e seu estudo dá a base do que o humanismo tem
de melhor e pior.
Ninguém além de Ratzinger poderia substituir
nesse momento decisivo João Paulo II. Possui
um currículo invejável, um teólogo
notável e culto, uma peça estratégica
fundamental no papado de Carol Wojtila. Esteve por
trás das decisões e atos do papa anterior,
compartilhando seus pensamentos e influenciando João
Paulo II. Seu posicionamento é retrógrado?
É. Há perspectiva de uma piora da relação
Igreja Católica x Mundo Real? Sim. Isso vai
afetar a sua vida na prática? Não. Principalmente
se você não for católico? Não.

Que católico leva ao pé da letra todas
as recomendações do papa?
O poder da instituição Igreja é
macro-político, alimenta discussões
em congressos, elege presidentes, fomenta guerras.
Seu desígnio de buscar a excelência espiritual
do Homem está fora da sintonia com a modernidade.
E ao mesmo tempo a modernidade quer um amparo “superior”,
moral, santificado para justificar sua existência
que se choca com os preceitos iluminados da religião.
A mídia e setores liberais buscavam o aval
para suas políticas com um novo papa condescendente
e destituído da sombra dos anteriores. Criaram
uma ilusão de que a Igreja católica
está a serviço de seu rebanho. Manipularam
anseios para uma nova era que imaginaram poder controlar.
Felizmente a solução não foi
a mais fácil.
A Igreja católica, o catolicismo são
individuais. Espera-se que uma corrente ideológica
caminhe por passos próprios e que ela se alimente
de ela mesma, sem vínculos a outros meios desvirtuadores
de sua espinha dorsal. Veja bem, um político
pode se associar com a religião para benefício
próprio. Um religioso não precisa da
política para obter sucesso. Ela é independente.
Como pode uma sociedade civil corromper a aura da
Igreja? Simples, ela se tornando parte da Igreja.

Leonardo Boff deu com os burros n’água.
Foi posto em castigo na década de oitenta pelo
mesmo Ratzinger que acreditava não conseguir
maioria para tornar-se a criatura mais poderosa do
Deus católico na terra. Todo o Brasil seguiu
seu pensamento errôneo. Pior do que isso foi
a expectativa de um papa brasileiro. Nenhum jornalista
conhecia seus cardeais direito e pré elegeram
Hummes como favorito. Claro que não foi isso
que aconteceu. Mais uma vez o alemão ganhou
do brasileiro. Brasileiro se acha dono do mundo. Rivaliza
com argentinos e estadunidenses. O fato de abrigar
a maior população católica do
globo dá embasamento moral da imprensa nacional
justificar sua predileção enquanto que
tudo não passava de um mero palpite.

Tolice é acreditar que a Igreja mude de uma
hora para outra e ainda mais para satisfazer os outros
porque a época manda.
Considere outro importante detalhe, o nome do papa
não é Ratzinger e sim Bento XVI. Um
papa possui uma outra função que a de
um cardeal, diferente da coordenação
da Congregação da Doutrina da Fé,
que é responsável pela base doutrinária
da Igreja. Todos sabem o que ele pensa mas em como
ele vai agir reside a diferença. O papa é
pop, maldito seja Humberto Gessinger, e para manter
os ganhos do papa antecessor seu discurso vai ter
que ser traduzido para a linguagem mais acessível
dos “infiéis”, entenda-se uma facilidade
para comunicação e diálogo com
outras religiões.

Nem seu passado na juventude hitlerista manchará
sua reputação, apesar da importante
ressalva que sua eleição obteve em Israel
isso poderá lhe reverter em ganhos ao admitir
como fatalidade do período e lamentar o ocorrido,
estendendo a cumplicidade que João Paulo II
iniciou com o judaísmo.
Paciência, zelo e paz são pré-requisitos
essenciais para tal tarefa, e seus 78 anos de experiência
hão de suplementa-lo com esses atributos.
Agora a parte mais interessante: tornando Ratzinger
papa a Igreja também se desfaz de um de seus
articuladores conservadores mais importante. Bento
XVI deverá nomear um novo sucessor à
sua cadeira na Congregação para Doutrina
da Fé, e não há outro tão
notável como o próprio Ratzinger para
substituí-lo. Assim, o “alto clero”
perde sua força e considerando a idade avançada
do novo papa a possibilidade de um nome mais atento
às especulações da sociedade
civil atual fica mais concreta, dando margem aí
sim a alguma mudança no panorama rígido
da Igreja.
Quer uma boa notícia? Acredito que o Metal
e o Punk HC vão sofrer uma agradável
enxurrada de novas bandas excelentes produzindo mais
discos memoráveis, tudo para chutar o traseiro
do novo papa e do Bush II.
Ele poderá ser o primeiro papa que visitará
a Lua. Por que não? É mais fácil
isso acontecer do que aceitar a união homossexual,
a liberação do uso da camisinha, término
do celibato...
No fim tudo não passa de um show mesmo.

Aristeu
TODAS
AS IGREJAS DEVERIAM SER TRANSFORMADAS EM ASILOS PARA
POBRES
Quando
assisti o "Happiness Of The Katakuris"
(Takashi Miike), enquanto os zumbis cantam
e dançam, me veio uma imagem na cabeça
que ficou grudada na retina: A Igreja Católica
pagando mais de Cento e Vinte Milhões de doláres
para os pais de crianças (americanas, aquele
povinho infeliz resolve tudo com grana) que seus padres
e/ou funcionários molestaram no ano de 2005.
Quando assisti pela décima vez o Clássico
XXX "Behind The Green Door" (Jim
Mitchel), na cena em que as várias
mulheres desconhecidas chupam a vagina de Marilyn
Chambers, a frase "Um lugar de devoção
e fé" apareceu na tela, como se fosse
uma mensagem subliminar particular deixada nas portas
de minha percepção para ser acionada
num momento especial de minha vida adulta.

Quando assisti "Crossroads" (Bruce
Conner) com suas explosões nucleares
escandalosas, escutei o choro das criancinhas estupradas
pelo padre J.E. Balikian em frente ao Drive-In da
cidade brasileira de Marília.
Quando assisti o longa "The Queen Of
Sheba Meets The Atom Man" (Ron Rice),
misturei a curtição do avacalho deste
trabalho com a alegria do ateu italiano que está
obrigando o Vaticano a provar a existência de
Cristo com provas concretas, coisa que, aposto, não
conseguirão provar e a mitologia da bíblia
cristã terá mais uma personagem ficcional
mofando em suas páginas amareladas pela ignorância
secular.

Quando assisti "Pastoral - To Die In
The Country" (Shuji Terayama) sorri
feliz por constatar um grande cineasta japonês
desconhecido dos amantes da cultura surrealista neste
lado do planeta e escutei as marretas de um grupo
de pessoas conscientes trabalhando contra o concreto
da Igreja de Palmitos para derruba-la para sempre.
Quando assisti "Bad Boys 2"
dormi um sono profundo e sonhei com o fim dos filmes
comerciais.

Petter
Baiestorf
Colagens Cristãs de César Souza.
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