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O
que
se espera de um país enorme e com uma rica
cultura, mas sem memória? Com um folclore muito
original pouco explorado e muito esquecido.. Que só
valoriza seus talentos depois do aval de culturas
mais evoluída$$...Uma nação que
diz ter 500 anos e convenientemente deixa seus originais
habitantes morrerem de fome...Onde as artes ditas
nobres não encontram apoio, o que se dirá
dos gêneros “menores” da chamada
7ª arte ???
YES,NOS TEMOS HISTORIA!!!
Senhoras & senhores no país da telenovela,
políticos,futebol & carnaval...
Orgulhosamente apresentamos:
ESTES
INCRIVELMENTE ESTRANHOS FILMES DE HORROR NACIONAL!
(...na verdade,conhecendo as dificuldades
de se produzir e exibir filmes por aqui,fazer cinema
no Bras(z)il já é verdadeiramente um
horror )

Com um atraso incrível, num país altamente
supersticioso e folclórico nossos primeiros
filmes de terror & sobrenatural só apareceram
por aqui nos anos 60(apesar do Brasil ter cinemas
desde 1896 e ter começado a produzir logo depois...).Assim
sendo, a trajetória do gênero no país
se confunde no inicio com a de seu pioneiro realizador:Jose
Mojica Marins.Em 1964 apareceu Jozefel Zanatas ou
melhor Zé do Caixão em “A MEIA
NOITE LEVAREI A SUA ALMA”,terror mambembe,terceiromundista,portanto
pobre & original.O próprio diretor/roteirista
assumiu o papel do sádico coveiro em sua busca
insana pela mulher-perfeita-que-lhe-daria-o-filho-superior.Tudo
regado com blasfêmias,sexo,violência e
aranhas de verdade. Alem das tiradas filosófico-
hilárias de Mojica. O terror & o Trash
nasceram juntos por aqui!! Em 1966, a busca da imortalidade
pela continuidade do sangue continuou em “ESTA
NOITE ENCARNAREI NO TEUCADAVER”. Desta vez atormentado
pela culpa de ter matado uma mulher grávida,
Zé sonha com um inferno gelado e a cores. 0
“pobrema” é o final do filme modificado
por exigência da censura, com o amoral &
imortal personagem se convertendo... Em 1967, a produtor
Antonio P.Galante investiu num longa em episódios
baseados em historias de R.F.Lucchetti( nosso 1°
roteirista de terror p/cinema,HQ,TV & literatura
pulp)escritas para um programa de televisão
comandado por Mojica. Mojica dirigiu “Pesadelo
Macabro” copiando Edgar Allan Poe ao falar de
catalepsia e enterro prematuro.

Ozualdo Candeias adaptou “0 Acordo” sobre
um pacto com o capeta,e Luis Sérgio Person
“A Procissão dos Mortos” sobre
guerrilheiros-fantasmas.Apesar do filme se chamar
“TRilOGIA DO TERROR”,as adaptações
dos outros dois cineastas, apesar de muito boas quase
nada possuem de assustador.Mas Mojica gostou da idéia
de um filme em episódios e partiu para a realização
solo de “O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXAO”.Na
história do “Fabricante de Bonecas”
um velho artesão utiliza olhos humanos em seus
brinquedos; em “A Tara” um corcunda vendedor
de balões obcecado par uma garota só
consuma sua paixão com necrofilia e finalmente
em “A Ideologia” Mojica apresenta um nova
personagem QAXIAC ODEZ( de trás pra frente...)um
professor piradão que defende sua tese do instinto
superando a razão utilizando torturas, humilhação
e canibalismo. ”Trilogia...” e “O
Estranho Mundo...” foram lançados em
1968 com diversos cortes pela censura da época.
O programa de rádio “INCRÍVFL,
FANTASTICO, EXTRAORDINARIO” de enorme sucesso
nos anos 50/60 (o mesmo que serviu de inspiração
para a serie homônima exibida anos atrás
pela extinta rede Manchete) foi adaptado para o cinema
em 1969 por Adolpho Chandler, com o ator/cantor Cyll
Farney num elenco que vivia quatro histórias
sobrenaturais populares: “A Ajuda”, “0
Sonho” , “A Volta” e “0 Coveiro”.O
mesmo diretor voltaria à mesma fórmula
em 1970 com “0 IMPOSSÍVEL ACONTECE”
apresentando então historias fantásticas
tipo “Alem da Imaginação”
.Ainda em 1969 foi produzida a chanchada carnavalesca
de terror “UM SONHO DE VAMPIROS”, de Iberê
Cavalcanti.Dr.Pan ( o humorista Ankito)faz um pacto
com a morte e se transforma num vampiro que ataca
as principais autoridades de sua pequena cidade gerando
urna serie de confusões.

Na onda psicodélica sessentista, “RITUAL
DOS SADICOS” escrito par Lucchetti e dirigido
por Mojica foi rodado e divulgado em 69. Mas a história
do psicólogo que injeta LSD em viciados fazendo-os
ter altas viagens envo1vendo Zé do Caixão
foi totalmente barrada pela censura e somente liberado
em 1983(!) estreando mal e porcamente com o título
de “O DESPERTAR DA BESTA”.A década
de 70 foi a mais promissora para o Horror brazuca,
o movimento Udigrudi( Underground verde e a emergente
“Boca do Lixo” providenciaram o estufo
“B” necessário. “OS MONSTROS
DE BABALOO” e “A POSSUIDA DOS MIL DEMONIOS”;
O primeiro de Elyseu Cavalleiro e o segundo de Carlos
Frederico ambos de 1970 são fantasias bizarras
e simbólicas que tanto podem ser vistas como
comédias burlescas de terror como alucinadas
críticas à sociedade. Promovido em 71
como “0 1° filme Brasileiro de Ficção
Científica”, “0 MACABRO DR.SGIVANO”
co-dirigido por Raul Calhado e Rosalvo Caçador
era na verdade uma tentativa de fazer terror ao estilo
Mojica inclusive com o ator/diretor Calhado fazendo
apresentações vestido a caráter
como Scivano, um político fracassado que se
envolve com macumba e em troca de riqueza se transforma
em vampiro.Depois de reduzido à pó por
uma cruz, um psicólogo decide que ele era apenas
um paranóico (num final copiado de PSICOSE
de 1960).
0
Ítalo-brasileiro Raffaele Rossi( que enriqueceu
na década seguinte ao iniciar a moda dos pornôs
explícitos com COISAS EROTICAS)escreveu,dirigiu
e estrelou uma fábula sabre a autoridade paterna
e negligência familiar intitulada “0 HOMEM
LOB0”de 1971 com um professor que descobre que
seu filho adotivo é um lobisomem que ataca
mulheres num mato.Primeiro ele encobre as crimes e
depois decide elimina-lo com a inevitável bala
de prata. Rituais de magia negra foi tópico
para “O GURU DAS SETE CIDADES” de Carlos
Bini onde uma seita hippie com um líder tipo
Charles Manson envolve a mulher de um milionário
exigindo sacrifícios e para “O DIABO
TEM MIL CHIFRES” de Penna Filho onde um estranho
pintor em uma ilha deserta domina um casal em lua
de mel, ambos de 1972. A licantropia retornou com
“0 LOBISOMEM,O DEMONIO DA MEIA NOITE”(1974)
,outro Udigrudi típico de Elyseu Cavalleiro
com edição caótica e diálogos
surrealistas.Wilson Grey(em seu 1° papel principal)
é um milionário que preside um culto
no meio da floresta e se transforma em lobisomem(que
mais parece um vampiro já que só seus
caninos crescem... )até ser eliminado par uma
figura mística vestida de branco.Foi a meihor
versão do mito,já que “QUEM TEM
MEDO DE LOBISOMEM ?”de Reginaldo Faria do mesmo
ano,era uma comédia que tentava reunir um homem-lobo,
fantasmas,vampiras e uma viagem no tempo, numa mistura
confusa.
O sucesso internacional do terror católico
“O EXQRCISTA”(73) levou o produtor Osvaldo
Aassaini a investir 150 mil dólares em “EXORCISMO
NEGRO”(1974).José Mojica dirigiu e atuou
representando uma paródia involuntária
de si mesmo(Mojica intelectual e refinado??!).Numa
casa de campo uma família tradicional e honesta
(com um elenco Global da época) enfrenta uma
bruxa (Wanda Kosrno,a bruxa oficial do cinema brasileiro),um
filho do diabo e a próprio Zé do Caixão.
Ainda em 1974, tivemos o surpreendente “O ANJO
DA NOITE”de Walter Hugo Khoury
( premiado no Festival de Terror de Sitges,Espanha).
Um denso e perturbador “psycho-killer”
baseado em um fato verídico vivido por uma
babá brasileira nos EUA e que também
inspirou John Carpenter em seu clássico “Halloween”(78).
Numa mansão isolada, uma jovem babá
( Selma Egrei) que cuida de duas crianças descobre
que um louco assassino está dentro de casa...
Belo Horizonte e Ouro Preto serviram de cenário
para “ENIGMA PARA DEMONIOS” de Carbos
Hugo Christensen, baseado no conto “Flor,Telefone,Moça”
de Drummond de Andrade. Monique Lafond vive urna mulher
que volta para casa de seus parentes apos perder seu
filho.Depois que, ela retira uma rosa depositada em
cima de um túmulo passa ser aterrorizada por
telefonemas do além. Christensen voltou a Minas
e ao sobrenatural em “A MULHER DO DESEJO”
(1975) onde numa mansão assombrada do séc.XVIII
um homem recém casado é possuído
pelo espírito de seu falecido tio.Já
Rafaelle Rossi retornaria ao tema da dominação
paterna (acho que era traumatizado este guri...) substituindo
a licanttropia pela possessão diabólica.Um
menino é resgatado de um grupo de adoradores
do capeta e adotado.Mais tarde ele e possuído
e causa várias mortes ate que precisa enfrentar
seu próprio pai. O filme possui o título
exploitation de “SEDUZIDAS PELO DEMONIO”.A
livre adaptação do “Caso dos Dez
Negrinhos” de Agatha Christie gerou “0
SIGNO DE ESCORPIÃO”(1975)de Carlos Coimbra.Um
grupo de doze pessoas isoladas em uma ilha são
assassinadas uma a uma de acordo com seus signos do
zodíaco. No elenco além de Kate Lyra
e Wanda Kosrno, num lance de marketing o famoso (na
época) astrólogo televisivo Omar Cardoso
faz urna ponta (+ ou menos uma versão brasileira
de Criswell...)
O discípulo de Mojica, Marcelo Motta dirigiu
seu mestre em “A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES”(1976),uma
espécie de pousada purgatório mal-assombrada,
gerenciada pela própria morte(Mojica) ,onde
casais adúlteros, malandros, bandidos e hippies
que entoam “...todo mundo nu,peladinho,peladão,Oba!”
vão encontrar a danação! Tentando
ainda se adequar a um ter¬ror mais mainstream
J.M.Marins filma um argumento de melodrama mexicano
de terror chamado “INFERNO CARNAL” (76):cientista-abnegado-deformado-por-ácido-se-vinga-de-esposa-adultera-e-cuida-de-garota-sexy-ingênua(Helena
Ramos). O criador do cinema de terror nacional já
perdera o timing e só trabalhava para viver.
“EXCITAÇÃ0”,
de Jean Garret mostrou em 1976 o fenômeno “poltergeist.”
numa casa de praia isolada onde uma mulher (Kate Hansen)
tem visões com um suicida e enlouquece com
os eletrodomésticos que funcionam sozinhos
e a atacam.Uma obscura produção paulista
“A VIRGEM DA COLINA” chegou aos Estados
Unidos com o titulo de “The Ring of Evil”,
contando a história de um anel que pertencera
a uma prostituta com poderes sobrenaturais e que provoca
dupla personalidade em urna jovem noiva e depois deforma
seu rosto obrigando-a a usar uma máscara (direção
de Celso Falcão em 1977). A atriz Rosângela
Maldonado decidiu ser o Zé do Caixão
de Saias e escreveu, produziu, dirigiu, atuou,fez
a maquiagem,a cenografia e os figurinos( ufa!) de
“A DEUSA DE MARMORE ESCRAVA DO DIABO”(1977).A
mística história de uma mulher com 2000
anos de idade que conserva a juventude extraindo a
vida de homens durante o ato sexual.Meio atrapalhada
com as múltiplas funções,Maldanado
pediu à Mojica uma mãozinha para acabar
sua mistura de pornô chanchada com terror.Mojica
ainda fez um papel como o demônio “Seu
Sete Encruzilhadas”. O único elogio que
a obra recebeu foi seus créditos de abertura
desenhados de forma arrojada por Akira irayama, artista
que também faz uma ponta no filme.

A ultima contribuição de Zé Mojica
para o cinema de terror foi o artisticamente Picareta
“DELIRIOS DE UM ANORMAL” EM 1978. Sem
grana para um filme novo, Mojica rodou apenas 30 minutos
da historia do psiquiatra atormentado com pesadelos
onde Zé do Caixão tenta roubar a sua
mulher e completou o tempo restante com cenas extraídas
de quatro filmes seus antigos e cenas cortadas anteriormente
pela censura. Demencialmente Trash! O oposto fez Walter
Hugo Khoury, seu “AS FILHAS DO FOGO” tem
uma produção requintada,atrizes estrangeiras
( a lindinha italiana Paola Morra)e roteiro intelectual
baseado em casos relatados na revista Planeta. Numa
mansão em Gramado(RS)duas jovens estudantes
sofrem influências de magia negra, fantasmas
e vozes de pessoas mortas. O
mesmo ano marcou a estréia do diretor sino-brasileiro
John Doo, artesão competente da Boca do Lixo
que se especializou em terror—erótico
a partir de “NINFAS DIABOLICAS”: duas
jovens e belas estudantes pegam carona na estrada
e envolvem homens solitários num jogo de sexo,
telepatia e morte. Alem do clima fantástico
e sensual, o filme mostrou a lª cena de nu fron¬tal
liberada pela censura. Elogiado pela crítica,
John Doo conseguiu uma produção classe
“A”,elenco e roteiro oriundo de telenovelas
para “UMA ESTRANHA HISTORIA DE AMOR” (1979)
onde a trágica paixão de um casal sobrevive
a morte, reencarnações e influência
de outros amantes.Voltando ao sistema trash da Boca
ainda dirigiu “EXCITAÇÃO DIABOLICA”
( 1981 )com Wanda Kosmo novamente corno uma bruxa,
prostituta com o poder de se transformar nas gostosas
Aldine Muller e Zaira Bueno para consumar uma vingança
e episódios de terror & sacanagem nos pornôs
“A NOITE DAS TARAS” e “PORNÔ”.
1982
foi um ano muito produtivo para o gênero. A
dupla Luiz Gastellini e Cláudio Cunha, especialistas
em sacanagem realizaram “A REENCARNAÇÃO
DO SEXO” onde a bela Patrícia Scalvi
é dominada pela vontade da cabeça decepada
de seu amante que exige vingança e um novo
corpo.Divulgado como sendo uma adaptação
de um conto de Bocaggio, era na verdade uma cópia
mais erótica do argumento do clássico
da Hammer “Frankenstein Criou a Mulher”
de 1966.
O
carioca Ivan Cardoso, cinéfilo inveterado,
driblou todas as dificuldades para realizar de forma
independente sua homenagem-paródia aos clássicos
da Hammer e Universal “O SEGREDO DA MUMIA”(82)
onde um cientista louco brasileiro(Wilson Grey) descobre
um soro da vida e ressuscita urna múmia egípcia
(Anselmo Vasconcelos) para sua vingança pessoal.Uma
perfeita combinação de chanchada com
terror, sexo e deboche,nasce o “Terrir”.
O horror era moda internacional nesta época
e a tônica da produção brasileira
era calcar nos modelos de sucesso americano. “SHOCK”
(82) de Jair Correa era uma tentativa de realizar
um suspense no estilo “Sexta Feira l3”:
após urna festa numa mansão, jovens
são aniquilados como moscas por um maníaco
metido a baterista. No “BANQUETE DAS TARAS”
(82) de Carlos Alberto Almeida, um escultor recebe
uma visita da Transilvânia com uma missão:
sossegar seu antepassado o Conde (Dracula?? )no sepulcro
de 500 anos fazendo sexo e sacrificando quatro mulheres.
Já
no “CASTELO DAS TARAS” (como são
originais estes títulos nacionais...) do mesmo
ano, dirigido par Julius Belvedere, em um grupo que
realiza estudos em uma mansão um deles é
possuído pelo espírito do Marquês
De Sade e transforma tudo numa festa com sexo explícito.(se
esqueceram da violência & Terror...).0 Ítalo—brasileiro
Uberto Molo trilhou carninhos mais intelectuais e
seu”TORMENTA”(82) é um terror psicológico
sobrenatural com influências de Alain Resnais
e do clássico inglês “NA S0LIDÃ0
DA NOITE”( de 1945,por sinal co-dirigido por
um brasileiro Alberto Cavalcanti:).Uma garota e sua
madrasta ficam isoladas em uma ilha deserta e atemporal
passando par uma experiência fantástica.Tudo
muito sutil e sugerido.
Para competir com as filmes pornôs americanos
que dominavam os cinemas da época, tentaram
um misto de terror com sexo explícito resultadas
no mínimo muito engraçado “AS
TARAS DE UN MINI VAMPI RO”(1984)de Jose Adalto
Cardoso que colocou a anão Chumbinho coma a
personagem titulo, atacando casais em pleno ato de
sacanagem e sendo caçado par um subnutrido
Van Helsing nacional. Já “ARREPIOS”
de 1986 se servia da fórmula de terror sacanagem
em episódios para mostrar talvez que as majores
monstros nacionais foram algumas atrizes pornôs
da Boca do Lixo, já que elas rivalizavam em
feiúra com a mutante aranha e o monstro das
cavernas desta pérola trash.
O
“deboche respeitoso” de Ivan Cardoso com
os clichês do gênero resultou na pornô
chanchada noir musical macabra “AS SETE VAMPIRAS”
(1986).Uma espécie de “Fantasma do Cabaré”
que assombra a Rio de Janeiro dos anos 50 e ataca
as gostosas vampirinhas de um show. Muitas citações,
nesta ótima reconstituição de
época e besteirol classe “A”. A
onda de filmes de terror atinge a ápice no
país gerando a que se chamou de “Espantomania”
mas fora as homenagens aos clássicos dos anos
30/40 de Ivan nada mais tinha a que acrescentar.Sentindo
que seu terror pornográfico tipo Sexta 13 nacional
não ia vingar, o dublê de ator/diretor
Francisco Cavalcanti pediu socorro para a velho Mojica
para substituir cenas de putaria explícita
por mais sangue em “A HORA DO MEDO”(86).
Os 13 minutos adicionais de gore demencial são
a que prestam na história de um psicopata filhinho
da mamãe.
Os
anos 90 nos trouxeram Fernando Collor e uma pá
de cal no que restava do cinema nacional. Mas dais
fenômenos trariam a cinema macabro de volta
da tumba:a internacionalização de nossos
representantes, José (agora “Coffin Joe”)
M. Marins e Ivan(”The Terror”)Cardoso
e a nascimento de uma nova geração,
a dos Videomakers alucinados e com uma bagagem de
influências maléficas na cachola.O produtor/diretor
Fauzi Mansur realizou com vista no mercado internacional
“ATRAÇÃO SATANICA”(Satanic
Attraction)em l990.Uma série de assassinatos
no litoral são motivados par um casal de gêmeos
criados por uma seita demoníaca.Um bom Splatter
com produção convincente e elenco correto,
que só pecou par um roteiro previsível
e por sua dublagem em um inglês “caipirônico”.Apesar
de exibido em mais de dez paises (incluindo EUA, Itália
e Alemanha)foi queimado aqui por uma distribuição
inexistente. Mesmo assim Mansur realizou “RITUAL
MACABRO” (Ritual of Death, 1991) rodado em São
Paulo e lançado lá fora com elogios
da crítica (que o considerou muito superior
em produção e violência), mas
que continua inédito entre nós até
hoje. Tem a ver com o espectro de um pastor psicopata
tipo Jim Jones que assombra um grupo de teatro provocando
mortes sangrentas.
Com
a impossibilidade técnica e financeira de realizarem
obras em película, uma série de novos
realizadores passou a utilizar suas câmeras
caseiras de vídeo e curtas de horror/Trash
pipocaram em todo o país. ”Pipocas”
e também uma referência para descrever
esta geração, realmente muito jovem,
viciada em TV, filmes vagabundos, quadrinhos, pipocas,
refrigerantes e muita cerveja. Se os realizadores
brasileiros até então se dividiam entre
os que não tinham nenhuma cultura cinematográfica
e os formados/influenciados pelo cinema clássico
Hollywoodiano ou Europeu, agora a regurgitação
de centenas de informações da cultura
pop com um grosso caldo de transgressão era
a tônica. O 1° longa metragem apareceu em
1993 no oeste de Santa Catarina (um estado sem quase
nenhuma história cinematográfica)
“CRIATURAS HEDIONDAS” de Petter Bajestorf,
rodado com parcos recursos era uma ficção
científica de Terror sobre um cientista marciano
tresloucado que quer dominar a terra. “CRIATURAS
HEDIONDAS II” (1994) mostrava o dia seguinte
a invasão, com as influências óbvias
de Ed Wood, Massacre da Serra Elétrica, seriados
japoneses,Roger Corrnan,etc. .Inventando seus próprios
efeitos especiais e recursos técnicos e descobrindo
atores amadores com a cara do gênero(como E.B.Toniolli
e Jorge Timm) Baiestorf e sua CANIBAL PRODUÇÕES
tomou de assalto o circuito underground nacional.Uma
onda de modismo pelos Trash-movies e o aparecimento
da 1ª convenção nacional de Horror
em São Paulo aceleraram o movimento. Depois
de “AÇOUGUEIROS” (1994) sobre duas
facções de uma estirpe de canibais,
Baiestorf (já com uma equipe mais numerosa
e contando com os FX da Gore G.G.Efeitos)rodou “O
MONSTRO LEGUME DO ESPAÇO” em 1995.

0
clássico da escatologia e trash nacional contava
as aventuras de uma criatura aprisionada por um cientista
tupiniquim e seu ajudante, um nojento comedor de merda
Caquinha. Mesmo sem um circuito de exibição
ou distribuição o vídeo virou
mania e
influenciou novos realizadores. Somando forças
(ou misérias) a Canibal virou Canibal/Mabuse
e além de curtas e clips no ano de 1996 foram
lançados “ELES COMEM SUA CARNE”
um horror-gore sobre canibalismo, romance e necrofilia
na historia de urna comunidade antropofágica
que tenta viver em harmonia nos nossos dias; “CAQUINHA
SUPERSTAR A GO GO: THE GORE HORROR PICTURE SHOW”
uma comédia musical escatológica desenvolvendo
o personagem aparecido em “O Monstro Legume”
ambos de P. Baiestorf e “SATANIKUS” de
César Souza uma homenagem aos clichês
do gênero e ao escritor Paulo Coelho.
Mojica, que já ganhara até um clone:
Antonio Firmino, o “Toninho do diabo”.O
realizador dos curtas “O Caçador de Almas”
& “0 Caçador de Falsos Profetas”)
aderiu a nova “Boca do Lixo Eletrônica”.
Dirigido por Andrea Pasquini, atuou em “CONTOS
DE HORROR—A FILHA
DO PAVOR” (1997) em dois papéis, um deles
denominado “0 Cavaleiro do Medo” e fez
uma ponta no pavoroso(literalmente) “BABU -
A VINGANÇA MALDITA” de César Nero,
ambos sabre adoradores do diabo e vingança
( talvez de seus realizadores contra a humanidade...).
“BLERGHHH!” (96/97) de Baiestorf foi rodado
como urna aventura policial mesclando drug-movies,
sexo e mortos vivos sem cabeça que conseguiu
a façanha de reavivar a censura, ao ser proibida
a sua exibição pública em uma
convenção nacional de Horror por causa
de suas cenas de sexo & violência! O “clone
do clone de Mojica” Boni Coveiro e sua produtora
chapecoense: Extreme Produções rodaram
vários curtas na linha Jason—subdesenvolvido
(“Carpindo nos Corpos”,”Re-bocando
os Corpos”,”Operando. as Corpos”...)para
serem lançadas numa fita-coletânea intitulada
“PROFISSÕES MACABRAS”(1997/1999).
O roqueiro e videomaker paulista Cleiner Miscceno,
depois de vários curtas metragens divertidos
consegue finalizar “DOMINIUM”, em 1999
uma apocalíptica visão da terra sendo
dominada por mortos vivos demoníacos. O mesmo
tema foi escolhido par Petter Baiestorf e César
Souza para o “canto do cisne” (êta
expressão boiola!) da década e de sua
produtora associada.Depois de longas voltados a transgressão
e sexualidade exacerbada ( “GORE GORE GAYS”
& “S.B.A. F.” ambos de 1998) retarnaram
a linha terror-trash-debochado em “ZOMBIO”(1999)
onde em uma ilha do rio Uruguai um casal enfrenta
um psicopata,um alienígena e uma horda de zumbis-canibais
famintos.
Já que o mundo não acabou no ano 2000
, o que nos espera no novo milênio??? Conseguirão
estes heróicos cultuadores do Horror &
do Trash saírem da eterna crise econômica?
?? Uma nova geração de realizadores
já começa a dar sinais de produção:
o Tromaníaco Fernando Rick com seus Gores filmados
em digital, o insano Gurcius Gewdner com seus experimentos
demento-gore-musical inclassificáveis, os curtas
em película de Dennison Ramalho e muitos outros
que movidos pela explosão do vídeo canibal
dos anos noventa ajudam a manter a história
do cinema transgressor sempre vivo e em movimento.
Conseguirá o nefasto “Politicamente Correto”
exterminar o tesão-transgressor?????????? Acho
que não...
Não perca a próximo capitulo desta emocionante
história!!!!!!!!!!

César
Coffin Souza.
Originalmente publicado no fanzine
Brazilian Trash cinema n° 03.
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