A Globalização no Underground

...ou como engravidei Marte...

Ok, você já ouviu milhares de vezes o termo globalização e mesmo assim esse tema parece etéreo, mas faz parte de nossas vidas sim e nem tomamos nota de sua consistência. Isso não é discurso de neo-bobos ou do Arnaldo Jabor, está tão entranhado que fazemos parte da coisa e a alimentamos diariamente, a cada hora, a cada minuto, todos os segundos.
O desmonte do padrão chamado ideal se fez no início da década de 90, e se esse fanzine demorar muito, do século XX. E o que era ideal? As relações individuais dentro de um grupo e as inter-relações com diferentes grupos baseavam-se em confiança, segurança e lealdade, amizade enfim. E mercantilista, claro!, mas resumindo para termos econômicos temia-se o inimigo externo, que através de “dumping” poderia exterminar a indústria nacional, brasileira no nosso caso. Como sobrevivíamos sob o “protetorado” militar essa influência basicamente estadunidense estava ao redor da ilha brasilis, não havia risco da moderna e estruturada indústria estrangeira desestruturar o que levou séculos para se estabelecer (e ainda com ajuda externa...), não havia necessidade de modernizar os meios de produção ao rigor capitalista competitivo. Acontece que o comodismo imperou, por ser mais fácil e por ser mais lucrativo (e portanto não menos capitalista). Comprar um produto local ou nacional era incentivar a produção nacional, mostrar para eles (lá fora) que quem manda aqui somos nós, do nosso jeito (aí que entra a “amizade” citada anteriormente). Acostumamo-nos a viver em um padrão abaixo da média, que era o padrão brasileiro. Mas sempre existia a Disneylândia. O futuro era os EUA, ou Europa, tanto faz.
Então por que o medo desse futuro? Por expor nossa mediocridade? Perder empregos? Destruir o orgulho nacional? A custo de quê?


Hoje vivemos um mundo real segundo a lógica capitalista estadunidense. Porque agora temos a chance de provar que podemos estar atentos às mudanças e renovar, de igual para igual como o Vietnã ou Alemanha, ou seja, conviver e sobreviver às dificuldades naturais de um processo seletivo, capitalista (novamente!).
E com o Underground aconteceu a mesma coisa. Ele está aí competindo lado a lado com produtos fabricados pela indústria do entretenimento. Agora é “fashion”. Não é mais resistência e atitude. É comércio puro e simples. Calma, estou extrapolando, refiro-me à cena mais evidente à ativa nas trincheiras contra o banal e o sacal. A base está lá, lava, efervescente e escondida abaixo de todos nós. Às vezes eclode e causa devastação, mas também dá oportunidade à recriação (para voltar à normalidade depois). Quem poderia imaginar que garoto(a)s que poderiam estar ouvindo apenas o que lhes são vomitado(a)s pudessem escolher facilmente entre um click e outro “coisas” diferentes do usual? É a seleção natural pondo à prova a resistência da música do Underground. E é bom porque não se trata mais de delírios de alguns adolescentes ou teimosos em geral, ele pode ser deliciosamente devorado sem se estar envolvido no meio. Alguma dúvida afinal?
Profissionalmente é um grande passo, é a música por si só e o seu produto direto, no caso, dinheiro. Palmas aos felizardos, sem falsos preceitos, que vivam felizes! Sem aquele ranço invejoso que na maioria das vezes assolam os críticos no próprio meio Underground. Se era um fundamento anarquista, nada mais justo que poder viver de seu trabalho honesto(!) dentro de uma situação e se utilizando dela para viver. Ingenuidade? E daí? Você não precisa comprar esses CD’s, eles já tem vida própria de uma certa maneira. E morte também.


O que me incomoda não é isso, mas o que está ocorrendo nas categorias de base da cena musical em si. Estão jogando de salto alto. A globalização no futebol também é fato, merece outro texto a respeito. Não é brincadeira não, mas é dessa forma que estão e(sca)ncarando o pouco que sobrevive. Estou falando do próprio desinteresse em manter a “chama do Underground” (wow, babe!). Como conseqüência da globalização no meio, tudo é encarado como mera diversão ocasional de final de semana. E “na próxima semana tem a festa country da Shell” – isso é um exemplo tolo, mas serve para evidenciar o quão o significado do Underground está descartabilizado, um mero produto. Os shows de bandas por assim dizer diferentes “não atraem mulheres, mulheres interessantes ou mulheres fáceis, as pessoas são sempre as mesmas, o som é uma porcaria na maioria das vezes”. São justificativas levianas e idiotas que não merecem prosseguir. Tudo bem, tanto o acesso a gravadoras como montar uma própria estão muito mais fáceis atualmente, assim como a distribuição e a informação via on-line são conquistas indiscutíveis - a profissionalização do meio - e, perdeu-se a graça, tudo é mecânico agora. Segue-se um protocolo, espera-se o resultado, confirma-se o diagnóstico.
Quero o espírito de luta de outrora, companheiros, a ousadia e a união, o sangue da irmandade, a total devoção a uma espécie de religião sem Deus ou santos, mas com hinários. É preciso lutar para devolver a cumplicidade ao Underground. Faz falta a verdadeira amizade de antigamente, ah tempos saudosos e nem tão distantes...
Contraditória ou não (à situação), a globalização está aí, e cabe a nós humanizá-la, a serviço do meio e não como fim, se é que isso é possível, porém, isso é uma outra história....
Quanto ao subtítulo, acho que já está explicado.
Obrigado!

Aristides

ANÁLISE CRÍTICA DO TEXTO ANTERIORMENTE EXPOSTO PARA FINS DE AUTÓLISE OU APOPTOSE CELULAR

Ahh, mais um ensaio de um frustrado qualquer...
É incrível como certas picuinhas podem alimentar um complexo de inferioridade (ou suposta superioridade) tão grande, não contente com demonstrações científicas risíveis ele descamba para um apelo de fundo emocional e de conteúdo meramente romântico, típico de um desequilibrado mental.
Aos fatos que ele tenta apontar no texto, alguns fazem sentido, mas daí a estabelecer como supostamente “ideal” as relações econômicas que se fizeram antes do período Collor, é demais, não dá para engolir. Não existe solidariedade quando dinheiro está envolvido!
As transformações técnicas realmente ampliaram o então limitado horizonte para as indústrias brasileiras e, junto com as mudanças essa fase de transição acabou por desestruturar o delicado tecido social que cobria o corpo do defunto. Já estávamos mortos sim, e a transição por enquanto só aqui no Brasil parece que toma ares de cronicidade, estabelecendo-se como fim do processo. O amanhã quem sabe?
A explicação é pior, tenta-se fazer uma associação comparando-se idéias para justificar o título do artigo, ou seria preposição? “Antes era bom pelo lado pessoal mas ruim do lado técnico. Hoje é ótimo pelo lado técnico mas péssimo pessoalmente.” O que que é isso? Isso só pode significar uma coisa, ele (o autor) envelheceu. É sempre assim, “no meu tempo...”, “quando eu tinha a sua idade...”, provavelmente ele já tinha ouvido as mesmas coisas antes e agora está repassando essa ranhice. Está na hora de tomar o remédio vovô!


A juventude atual é apática e daí? Que jogue a primeira pedra quem nunca estourou com seus pais (Jesus não vale!). É típico da fase, ainda mais se você pertencer ao outro lado etário, como é o caso do autor. Deve ser triste permanecer isolado e ver seus amigos se forem e manter os velhos hábitos quando era criança ou adolescente. Não dá! Velho de rabo de cavalo e de bermuda de skatista não decola, vai ficar para o “tio da Sukita”.
É por essas e outras que eu não agüento mais tanta baboseira, chega de suspiros e saudades. Se você for jovem, aproveite a vida enquanto puder senão irá virar que nem o velho rabugento aí ó...


Originalmente publicado no zine Intestino Tom 01.

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