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Rajá
de Aragão ( 1938 - ? )
Com
seu jeitão de cachaceiro intelectual, Rajá
é um dos mais importantes roteiristas de filmes
populares em atividade no Brasil. Residindo em plena
Boca do Lixo dos anos 70, escreveu roteiros para filmes
de mazzaropi, como o faroeste-comédia “O
Grande Xerife” de Pio Zamuner. Logo em seguida
roteirizou em poucos dias dois W.I.P., “Presídio
de Mulheres Violentadas” e “Internato
de Meninas Virgens”, que o produtor A. P. Galante
realizou com o diretor Osvaldo Oliveira e ainda escreveu
“Escola Penal de Meninas Violentadas”,
primeiro filme dirigido pelo diretor de fotografia
Antônio “Tony Mel” Meliande.
Após fazer uma adaptação do romance
“O sertanejo” de Jóse de Alencar
(uma versão faroeste chamada “Paixão
de Sertanejo”, dirigida por Pio Zamuner), o
próprio Rajá dirige dois filmes convencionais
(“O dia das Profissionais” e “Gloriosas
Trepadas”, uma remontagem de velhos filmes da
DANEK Produções realizada por Hércules
Barbosa e creditada a direção à
Rajá Aragão. Atualmente se dedica a
roteirizar filmes pornográficos, como “Anal
de Verdade” ou “Escola do Sexo Anal”.
Filmografia
como diretor:
1976 – O Dia Das Profissionais;
1980 – O Cangaceiro Do Diabo; 1985 – Hospital
Da Corrupção E Dos Prazeres; 1985 –
Gloriosas Trepadas.
Filmografia
selecionada como roteirista:
1975
– Kung Fu Contra As Bonecas; 1976 – Pintando
O Sexo; 1977 – As Amantes De Um Canalha; 1979
– O Matador Sexual; O Ultimo Cão De Guerra;
1981 – Liliam, A Suja; 1981 – Karina,
Objeto De Prazer; 1985 – Tônico Do Sexo.

JUAN
BAJON (1948, Xangai – China).
Morando
no Brasil desde os seis anos de idade, funda no final
dos anos 70 sua produtora J. B. Filmes e estréia
na direção com “O Estripador de
Mulheres”, um sleaze de baixo orçamento
onde temo uma mostra da capacidade criativa de Bajon.
Como precisava ganhar dinheiro, associa-se a Brasil
Internacional Cinematográfica para produzir
uma série de filmes pornôs, verdadeiros
sucessos de bilheteria. Com a liberação
dos filmes pornôs e o eventual fim da censura,
cria a Galápagos Produções Cinematográficas,
produtora de inúmeros pornôs dirigidos
por Alfredo Sternheim (jornalista de profissão,
atualmente crítico de cinema na revista SET)
ou pelo próprio Juan Bajon e que revelaram
para os tarados pornófilos as formas da espetacular
Sandra Midori.
Em sua filmografia há mais de 50 títulos,
então segue a...
Filmografia selecionada de Juan Bajon:

1978
– O Estripador De Mulheres; 1979 – Colegiais
E Lições De Sexo; - 1981 – A Noite
Dos Depravados; 1983 – Bacanal De Colegiais;
1985 – Sexo Acavalo; 1986 – Meu Marido,
Meu Cavalo; Seduzida Por Um Acavalo; A Colegial Sacana;
A Garota Do Cavalo; Duas Mulheres E Um Pônei;
1987 – Julia E Os Pôneis; Viciadas Em
Cavalos; Ninfetas Nota 10; 1988 – Tudo Por Um
Cavalo; Um Homem, Uma Mulher E Um Cavalo; 1989 –
Ninfas Pornôs; A Ninfeta Sapeca.
LUÍS
RENATO BRESCIA (1903 – 1988)
Outro produtor/diretor brasileiro completamente ignorado
entre os cinéfilos brasileiros, dono de uma
filmografia pequena(porém extremamente curiosa
e fora dos padrões do cinema nacional) ao lado
de seu filho Ettore, merece lugar de destaque aqui.
Em 1921, com a intenção de montar uma
fábrica de filmes virgens, vai a Milão(Itália)
estudar cinema e química fotográfica.
De volta ao Brasil realiza pequenos experimentos cinematográficos
com paisagens. Na década de 40 monta o estúdio
cinematográfico Brescia, onde realiza curtas
que compõem a série “Mostrando
Minas ao Brasil”, composto por títulos
como “Lambari” (coincidentemente a cidade
onde hoje reside o historiador de cinema e colaborador,
Lucio Reis), “Cambuquira”, “Cultura
do marmelo”, “Centenário de Pouso
Alegre”, “Varginha”(sem o E.T.),
entre outros.
Filmando apenas nos fins de semana(sua profissão
na realidade era medicina veterinária, trabalhando
como inspetor sanitário federal), inicia em
1945 a produção do faroeste “Sambruk”,
nunca finalizado porque a atriz principal abandonou
as filmagens. Em 1955 tentou sem sucesso filmar “O
Tronco do Ipê”, baseado em José
de Alencar, mas teve que abandonar o projeto devido
aos altos custos da produção. É,
quem disse que fazer filme vagabundo é barato?
(principalmente quando a grana é tirada do
próprio bolso).
Neste meio tempo, entre os inacabados “Sambruk”
e “O Tronco do Ipê”, produziu o
épico romano (o único feito no Brasil
até hoje) “Nos tempos de Tibério
césar”, dirigido e escrito por seu filho
Ettore Brescia, não lançado na época
porque a produção vagabunda inviabilizou
sua distribuição. Anos mais tarde, os
Brescia remontaram o filme com novo título,
desta vez “Centuriões Rivais”,
mas mesmo assim não conseguiram comercializa-lo.
Mais tranqueira que isso, impossível!!!
Em 1961 funda as Organizações Cinematográficas
Cineminas Ltda. e dirige o longa de horror “Phobus
- O Ministro Do Diabo”, novamente com roteiro
de seu filho Ettore, uma história delirante
sobre um ser maligno que pretendia dominar o mundo
com inúmeros efeitos especiais bagaceiros,
que tornam seu filme um forte candidato a trash-cult
de todos os tempos(lógico, se alguém
achar uma cópia do filme pra assistir!!!).
Na década de 70 Luís Renato Brescia
resolve parar de filmar. Em 1986 lança o livro
auto-biográfico “Como Fiz Cinema em Minas
Gerais”(se alguém tiver esse livro eu
compro e pago bem, é só entrar em contato
comigo), dois anos antes de falecer sem ao menos ter
tido sua falta de talento reconhecida entre os trashmaníacos
dos anos 90, devoradores de tudo que de ruim(mas divertido)
o cinema mundial já produziu e fez questão
de tentar, sem sucesso, esquecer...
Filmografia:
1952
– Nos Tempos De Tibério César/Centuriões
Rivais De Ettore Brescia. Produção De
Luís Renato Brescia.
1965/1970 – Phobus, O Ministro Do Diabo De Luís
Renato Brescia. Argumneto De Ettore Brescia.
Pesquisa
e textos de Petter Baiestorf.
Publicado originalmente no zine Brazilian
Trash Cinema 02.
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